Cemitério São João Batista vai ganhar projeto de verticalização em 2020

O Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul, é o primeiro do Rio a receber, nesta quarta-feira, um ambicioso projeto de modernização. Até o primeiro semestre de 2020, a unidade ganhará um novo complexo vertical, equipado com tecnologia sustentável de ponta, além de reformas também na área antiga. A verticalização segue uma tendência mundial e visa a atender à alta demanda por vagas no município: ao fim das obras, a capacidade do cemitério será 30% maior. O investimento estimado é de R$ 6 milhões.

O Rio tem 13 cemitérios públicos, cuja administração é dividida entre as concessionárias Rio Pax e Reviver desde 2014, após denúncias de corrupção na Santa Casa. Segundo a Coordenadoria Geral de Cemitérios e Serviços (CGCS/Seconserma), que fiscaliza a gestão das unidades, foram disponibilizadas 28.258 vagas até outubro deste ano, o equivalente a sete vagas por dia em cada cemitério. A mortalidade na capital, porém, é bem maior: dados de 2016 do Datasus indicam a ocorrência de 180 óbitos por dia naquele ano.

De acordo com a coordenadora da pasta, Daniela Mantovanelli, o projeto aplicado no São João Batista em parceria com a administradora Rio Pax chegará, “de acordo com a proporção”, em todos os cemitérios públicos do Rio. O próximo a receber as reformas será o de Inhaúma, cujas obras já estão em fase de licenciamento.

— O São João Batista está sendo o pioneiro de todo esse movimento porque ele tem todo um contexto histórico. É um dos mais antigos da cidade, considerado um museu a céu aberto, com uma localização privilegiada, e serve de vitrine em termos de investimento. É preciso trazer essa modernidade preservando a história e a tradição, porque há famílias que continuam tradicionais e precisam se sentir protegidas nesse direito — afirmou Daniela.

Entre as novidades estão os protótipos de gavetas sustentáveis, que também serão implantadas em áreas mais antigas do São João Batista a partir desta quarta-feira. Eles contam com um sistema integrado e automatizado de sepultamento biosseguro, e tratamento de gases por dissociação molecular controlado via satélite. Utilizam ainda materiais recicláveis, feitos a partir de garrafas pets, bagaço de cana e fibra de coco.

A reforma pretende também construir o mais moderno crematório do país. Serão inauguradas novas capelas e salas que terão velórios personalizados, um columbário onde poderão ser guardadas as urnas com as cinzas, seis blocos com mais de três mil jazigos e nichos com tecnologia sustentável, além de áreas de repouso para as famílias. O intuito da pasta é promover e estimular o turismo cemiterial na cidade.

— A coordenadoria tem investido em parcerias estratégicas para atender ao plano de negócios, que prevê inovação e verticalização. Nas grandes capitais, isso está acontecendo de maneira crescente, e estamos associando-o aos fatores históricos, porque os cemitérios do Rio têm essa característica.

Fundado em 1852 por D. Pedro II, o São João Batista ocupa uma área de quase 225 mil metros quadrados. Entre os mais de 40 mil jazigos e 300 mausoléus, estão diversas personalidades, como Santos Dumont, Carmem Miranda, Oscar Niemeyer, Tom Jobim, Cândido Portinari, Cecília Meireles, Ary Barroso, Luis Carlos Prestes, Clara Nunes e Cazuza.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior