Com um personagem peculiar e divertido, a caixinha de pé de moleque, redondo, no balcão da Misturaria Fina Mezcla, em Santa Rosa, chama a atenção dos clientes. Esse é o primeiro ponto de venda da Moleque de Pé, mas a história da marca não começou agora e vai muito além de um negócio.
A idealizadora do projeto, Raquel Pádua, desenvolveu a receita em 1983 com a ajuda de uma tia, e passou a vender o doce na escola. Apesar do sucesso, as vendas duraram dois anos, pois Raquel ia fazer o vestibular. Anos mais tarde, em 2014, ela, já formada em Desenho Industrial, ficou desempregada e, motivada por uma amiga, decidiu voltar a vender o doce.
— Como sou designer de produto, resolvi criar uma identidade visual. Então, criei a marca Moleque de Pé. Com a inversão do nome, passei a usar um persona, o Moleque, que transmite também conteúdo. A marca veicula, ainda, mensagens do bem, propósitos que podem transformar vidas — afirma.
A empreendedora tornou-se voluntária de um projeto social, o Centro Juvenil Oratório Mamãe Margarida, onde ministra oficinas ligadas à arte e ao empreendedorismo para crianças de 8 a 13 anos. E foi com a ajuda dessas crianças que a história do Moleque de Pé ganhou vida, com direito a amigos e tudo, e está prestes a se tornar um livro.
O Moleque — virado de lado, ele se transforma numa borboleta — é um menino niteroiense de 8 anos que tem deficiência nos dois braços e foi adotado por um casal estrangeiro. O restante da turma nasceu de desenhos das crianças do projeto social.
— Elas foram criando os personagens e as histórias a partir de temas como acessibilidade, racismo e adoção. Levei para uma amiga, e ela transformou os desenhos em biscuit. Agora estamos trabalhando no livro, que deve ficar pronto até dezembro. E ainda queremos transformar a história em um filme — adianta Raquel.
Fonte: O globo
Postado por: Raul Motta Junior