Os Cepacs — permissões para construir acima do gabarito — são a pedra no caminho do Porto do Rio. Os certificados, emitidos pela prefeitura para custear a revitalização da região e geridos em um fundo pela Caixa Econômica Federal, passaram de estímulo a trava ao desenvolvimento da área. No setor imobiliário, empresários e especialistas dizem que o preço do Cepac não é compatível com o mercado.
— Se o preço médio dos imóveis e o poder de compra do consumidor caíram, o preço do Cepac deveria cair também. A solução depende de uma mudança na gestão dos Cepacs — diz Cláudio Hermolin, presidente da Ademi-Rio.
Em maio, a Caixa comunicou a falta de recursos do Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha, criado em 2011, quando o banco adquiriu por R$ 3,5 bilhões todos os Cepacs da região, a serem vendidos para custear o desenvolvimento e a manutenção da nova área urbana. Mas os papéis encalharam: menos de 9% do total foram vendidos. E, este mês, a Caixa anunciou medidas que incluem a venda de alguns de seus ativos na região, como participações em empreendimentos imobiliários, para retomar os repasses de recursos para pagar compromissos no Porto, assinando um acordo com a Prefeitura.
Comprados por R$ 545 pela Caixa, o preço médio dos Cepacs chegou a superar os R$ 1.500 em 2015, segundo os dados disponíveis. A Caixa não informou o valor médio atual.
— Seria preciso vender a R$ 14 mil o metro quadrado residencial. É inviável — diz um empresário do setor.
A Caixa diz buscar uma forma de tornar os Cepacs “mais líquidos e acessíveis” . E aposta em um projeto Minha Casa Minha Vida na região.
Em São Paulo, onde o Cepac também foi usado, os títulos de uma área encalharam após dobrar de preço, conta Cláudio Bernardes, ex-presidente do Secovi-SP. Para ele, o Rio deveria vender um lote mais barato para estimular a valorização.
— É preciso fazer um leilão e testar demanda e preço dos Cepacs — diz Daniel Cherman, da Tishman Speyer, que tem dois projetos comerciais no Porto e previsão de lançar um residencial em 2019.
Para José Conde Caldas, presidente da Concal, o Porto só deve deslanchar em dez anos, com melhora na economia e oferta de comércio e serviços.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior