O casal Risonaldo Pereira da Silva, de 41 anos, e Iara Oliveira, de 22 anos, foi surpreendido na manhã desta quarta-feira ao chegar para trabalhar no trailer que eles mantêm há dois anos na Praça Corumbá, localizada na Rua São Clemente, na entrada do Dona Marta, em Botafogo, Zona Sul do Rio. É que foodtruck do casal, que tem dois metros de comprimento e travas de segurança nas quatro rodas, havia desaparecido. Os fios de eletricidade ligados ao trailer também foram cortados.
O casal comprou o veículo novo por R$ 8 mil após dois anos trabalhando com barracas do tipo que camelôs costumam usar nas ruas do Rio. Com a reforma do piso, a compra de equipamentos para a preparação dos alimentos e decoração, Iara calcula ter investido cerca de R$ 20 mil. Os dois registraram o caso como furto na 10ª DP (Botafogo).
— Acordamos por volta de 5h30m todos os dias, começamos a preparar o pão de queijo em casa e descemos para trabalhar por volta das 6h30. Mas o trailer não estava mais lá e ninguém viu ele ser levado. A questão não é só o prejuízo, mas também perdemos nossa fonte de renda. O que vamos fazer amanhã? — conta Iara chorando.
Esta quinta-feira é o dia do aniversário de Risonaldo. Morador do Dona Marta desde os 7 anos, ele conta que nunca foi assaltado no Rio. A comunidade enfrentou uma intensa troca de tiros por três dias, até esta segunda-feira.
O casal trabalhava diariamente na Praça Corumbá das 7h às 11h vendendo café da manhã, segundo Iara e Risonaldo o faturamento diário na parte da manhã era de cerca de R$ 400. E depois retornavam das 17h às 23h para vender sopas, onde conseguiam até R$ 300 com as vendas.
— As pessoas que trabalhavam próximo não viram nada. O que mais me assusta é que tiveram que quebrar as travas de segurança das quatro rodas, manobrar o trailer que estava na contra mão, cortar os fios da eletricidade e engatar em algum veículo para levar. Tudo isso no meio de uma das ruas mais movimentadas do Rio — diz Risonaldo.
De acordo com ele, o plano dos dois agora é voltar a usar a barraca antiga e parcelar a compra de equipamentos para preparar a comida, além dos expositores dos salgados.
Para o delegado Tarcísio Andreas Jansen, titular da 10ª DP (Botafogo), o trailer dificilmente teria sido rebocado pela Secretaria Municipal de Ordem Pública, por conta do horário do ocorrido, entre 4h e 6h30 desta quarta-feira:
— Muito difícil ser uma ação de ordenamento público que tenha rebocado o trailer do casal por conta do horário. Além disso, se fosse reboque da prefeitura, quem estava ao redor teria alertado, mas existe essa possibilidade e vamos averiguar. Há possibilidade de furto, vamos trabalhar com a CET-Rio para checar as câmeras ao redor e identificar o veículo que levou o trailer. Os proprietários foram acolhidos na delegacia, já foram ouvidos e agora vamos procurar se há testemunhas para serem ouvidas.
Procurada, a Superintendência da Zona Sul informou que não realizou nenhuma operação de ordenamento público na região. E que nenhum trailer foi rebocado a pedido deles no dia e horário informado. A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) informou que também não rebocou o trailer dos comerciantes.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior