Wrestling espera ajudar o Brasil a se tornar potência olímpica já em 2016

Com sede na Rua Bom Pastor, na Tijuca, onde, desde 2011, mantém sua administração e um centro de treinamento (CT), a Confederação Brasileira de Wrestlling (CBW) receberá uma atenção especial dos moradores nos Jogos Olímpicos de 2016. Responsável pelas lutas olímpicas, divididas em dois estilos, livre e greco-romana, a entidade administra um esporte decisivo para qualquer país que aspire se tornar potência olímpica: durante a competição, as modalidades oferecem um total de 72 medalhas. Apenas o atletismo e a natação, considerados os esportes mais nobres dos Jogos, consagram mais atletas.

Nas duas lutas, o objetivo do atleta é fazer o adversário tocar as costas no chão e dominá-lo nesta posição, até que os árbitros sintam que não há condições de reagir. Na luta greco-romana, os golpes devem ser aplicados da cintura para cima, enquanto na luta livre os golpes aplicados com os membros inferiores são liberados.

Como país-sede, o Brasil tem direito a quatro vagas automáticas para a competição e, apesar de ter classificado, no máximo, dois atletas para edições anteriores, a entidade avalia que o número é baixo e reivindica um atleta classificado por categoria. Neste caso, como defende o superintendente Roberto Leitão, seriam seis na luta livre masculina, seis na feminina e seis na greco-romana, disputada exclusivamente por homens.

— Fizemos esse pedido e a sinalização que obtivemos da federação internacional foi negativa, mas ainda temos esperanças. Por enquanto, temos essas quatro vagas e, à medida que nossos atletas vão se classificando, através de seletivas e mundiais, eles vão preenchendo essas vagas, que não passam a ser vagas extras — protesta.

Como cada categoria reúne apenas 20 lutadores, provenientes dos cinco continentes, os próprios dirigentes admitem que é pouco provável que o pleito brasileiro seja atendido. Em busca da classificação, os atletas da seleção brasileira dos dois estilos treinam diariamente no CT, em período integral, em busca da melhor forma física e técnica.

Arley Machado e Gil Leon treinam na sede da CBW, na Tijuca – Antonio Scorza / Agência O Globo
Concentrado no projeto que, nos Jogos do Rio, pretende situar o Brasil pela primeira vez entre os dez primeiros colocados no quadro de medalhas, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) começou em 2008 um intercâmbio para desenvolver a modalidade, com a contratação de dois técnicos cubanos. A federação internacional também enviou um treinador cubano e um búlgaro para estimular o desenvolvimento das lutas.

Desde então, os resultados melhoraram, a ponto de o COB sonhar com medalhas. As esperanças repousam principalmente nas costas de Aline Silva, da luta livre. A brasileira foi vice-campeã mundial na categoria até 75kg no ano passado, em Tashkent, Uzbequistão. Na edição deste ano, disputada em Las Vegas, ficou com o quarto lugar e, embora tenha voltado para casa sem medalha, garantiu classificação para a Olimpíada por ter ficado entre as seis primeiras. Joice Silva, que esteve em Londres-2012, é outra aposta, na categoria até 58kg.

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INTERCÂMBIO É CONSTANTE NA CBW

Presidente da CBW, Pedro Gama Filho mostra otimismo. Ele reconhece que o Brasil passou a ser mais respeitado pelas principais potências da modalidade, graças aos resultados internacionais e ao intercâmbio com treinadores de outros países.

Pedro Gama Filho reconhece que há um descompasso entre o rendimento das seleções masculinas e femininas, e atribui isto à evolução do programa olímpico: embora as disputas femininas estivessem contempladas desde a primeira edição dos Jogos Olímpicos da era moderna, em Atenas-1896, a luta livre feminina só foi admitida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em 2004.

— O Brasil só passou a ter um trabalho organizado nas lutas há 12 anos. E esse período coincide com a implementação da luta livre feminina nos Jogos. Nós começamos junto com o resto do mundo e já temos resultados satisfatórios. No masculino isso ainda não acontece, mas estamos preparando uma geração vencedora para um futuro bem próximo — afirma.

A atleta Aline Silva – Divulgação/Renato Sette Camara
No último Mundial, Aline Silva foi derrotada pela campeã, e por pouco não ficou com a medalha de bronze. O dirigente explica que a lutadora é forte candidata a uma medalha, mas mostra preocupação com relação ao desempenho de Joice, medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em julho passado.

— Aline é uma realidade e teve excelente desempenho nos dois últimos mundiais. Já os resultados da Joice vão depender de outros fatores, como a preparação que for feita e o momento no qual ela se encontrará a cada luta. O caminho dela para uma medalha é mais delicado, porque as adversárias asiáticas são muito fortes — afirma.

Ex-judoca, Aline compete na luta livre pelo Sesi-SP, onde também é acompanhada por um treinador cubano. Ela reconhece que os resultados a colocam como candidata a uma medalha, e não se intimida diante da pressão.

— Se eu quero essa medalha ano que vem, preciso trabalhar hoje para conquistá-la. Tenho treinado muito, com extrema dedicação, para buscá-la, e meus treinadores me ajudam muito nessa caminhada, porque muitos atletas, como eu, não são nativos da luta livre, e acabam utilizando recursos das lutas que aprenderam no início da carreira. Com os treinadores estrangeiros, nós nos aperfeiçoamos na luta e aprendemos mais rapidamente — afirma.

A visibilidade proporcionada pelo Rio-2016 e o aumento de vagas para as equipes brasileiras aumentaram o assédio aos dirigentes da CBW. Durante uma competição na Rússia, em 2013, Pedro Gama Filho foi abordado no saguão de um hotel pelo lutador cazaque Marat Garipov, vice-campeão mundial de 2011, que queria se naturalizar brasileiro para participar dos Jogos Olímpicos de 2016.

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— Eu expliquei que ele poderia vir e tentar, mas que não encontraria qualquer regalia por ser um atleta internacional. Um mês depois ele chegou aqui com apenas uma mochila nas costas e começou a treinar — conta.

Atualmente, Garipov viaja o país ministrando clínicas para atletas e treinadores, enquanto aguarda a naturalização. Pelas mesmas vias, o país já tem um caso de sucesso: já naturalizado brasileiro, o armênio Eduard Soghomonyan é campeão brasileiro na categoria até 130kg. No último fim de semana, ele ficou com o título do sul-americano da categoria, disputado na Argentina. O resultado alimenta a ambição olímpica do lutador, principal nome da luta masculina do Brasil.

— Vim para cá buscar essa classificação. Estou satisfeito com os meus resultados e treinamentos. Nos próximos meses, a seleção vai viajar, para treinar com adversários de um nível mais alto e, assim, esperamos buscar mais vagas nas competições classificatórias do ano que vem — afirma Soghomonyan, em bom português.

Fonte: O GLobo
Foto: Antonio Scorza / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior