Inspirada no livro “Mulheres”, do célebre escritor uruguaio Eduardo Galeano, a atriz Nena Inoue decidiu dar voz às mulheres retratadas pelo autor. A obra recupera histórias reais de personagens conhecidas, como Sherazade, Rosa de Luxemburgo e Olga Benário, e outras nem tão lembradas assim, entre negras, indígenas e guerrilheiras de diferentes épocas. Nena convidou o dramaturgo curitibano Francisco Mallmann para fazer a adaptação do texto para a peça, que estreou em abril de 2017 na mostra oficial do Festival de Curitiba. Pela primeira vez, “Para não morrer” entra em cartaz, nesta sexta, no Rio, no Teatro Poeirinha, na Rua São João Batista 104, em Botafogo.
A atriz foi motivada a trazer o espetáculo para a cidade após o assassinato da vereadora Marielle Franco, uma vez que a peça retrata histórias de violência contra mulheres e das lutas contra as opressões de gênero. Nena interpreta uma senhora de uns 200 anos, meio Pachamama meio bruxa, que passa o tempo todo sentada em uma poltrona. Embora tenha limitações físicas (só consegue mexer o braço direito e o rosto), ela insiste em falar, e, com isso, causar reflexão na plateia. Cerca de 80% do texto são adaptações do livro de Galeano. No entanto, há outras histórias, como a da trajetória de Maria Buena, uma espécie de santa popular de Curitiba que foi brutalmente assassinada pelo noivo, um soldado, no fim do século XIX.
— São histórias de mulheres que foram silenciadas durante anos e que ganham voz através da fala da narradora. Histórias de violência, mas também de afeto e do empoderamento feminino. O interessante é que não atinge só mulheres, mas homens, gente de esquerda, de direita e do centrão. É bem popular — resume Nena, ganhou o troféu Gralha Azul de melhor atriz pelo papel.
O espetáculo está em cartaz às quintas, sextas e sábados, às 21h; e domingos, às 19h, até o dia 26. Os ingressos custam R$ 40, às quintas, e R$ 60, nos outros dias. O telefone é 2537-8053.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior