Waack: Trump dribla a Suprema Corte para taxar o mundo

“RAUL BARROZO DA MOTTA JUNIOR”

Como se antecipava, o governo americano anunciou nesta quinta-feira (23), mais uma rodada de imposição de tarifas comerciais, atingindo cerca de 60 países.

O Brasil está entre eles, mas também outros tradicionais parceiros dos americanos, como o Japão, Coreia do Sul, Índia, Canadá, Reino Unido e União Europeia. O presidente americano, Donald Trump, alega que todos os atingidos estão envolvidos, de uma forma ou de outra, com “trabalho forçado”.

A alegação é apenas um subterfúgio para dar um drible na Suprema Corte americana, que tinha negado a Trump em fevereiro o uso dos instrumentos legais que utilizara até ali para seus tarifaços.

Trump acha que descobriu a fórmula mágica para reindustrializar os Estados Unidos. Obter receitas para compensar os cortes em tributos. Rebalancear os termos de trocas comerciais em escala global em favor dos Estados Unidos.

E, de quebra, aqui e ali, conseguir concessões puramente políticas – como foi o caso do Brasil quando impos seu primeiro tarifaço, um ano atrás. O que ele arrisca é perder em toda a linha.

Americanos vão pagar mais caro. Parceiros comerciais vão se rearranjar em novas alianças tratando de evitar os Estados Unidos. Mas as principais consequencias virão em outro âmbito, mais abrangente, que é o da geopolítica.

O que Trump escolheu para impor sua visão de mundo não foram apenas instrumentos de força – comercial ou militar. Ele optou pela imprevisibilidade e o desprezo por alguns elementos básicos que constituem a força de qualquer grande potência.

É a confiança no que foi dito, assinado ou combinado.

Fonte CNN BRASIL