UPP, um projeto que volta a ganhar força no governo Witzel

Após sofrer cortes e ser considerado uma carta fora do baralho, o projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) está de volta aos planos da segurança pública do estado. O governo Wilson Witzel estuda recuperar a estrutura física das sedes em comunidades, a exemplo da Mangueira, e, inclusive, parte do efetivo que vem minguando desde o ano passado. A proposta é defendida pelo secretário de Polícia Militar, general Rogério Figueredo de Lacerda. Mas encontra resistência na própria corporação e entre deputados estaduais aliados.

Hoje, são 29 UPPs em operação, após a reestruturação promovida ano passado pela intervenção federal, que extinguiu nove delas. Desde as eleições, o próprio Witzel criticava o projeto, que ele propunha remodelar. Em maio, ele chegou a dizer que “as UPPs ajudaram, ao invés de prender a criminalidade a esparramá-la pelo estado”.

“As UPPs foram construídas de forma atabalhoada, com péssimas condições para os PM. Vamos restruturá-las”

WILSON WITZEL
Governador do Rio
— As UPPs foram construídas de forma atabalhoada, com péssimas condições para os PM. Vamos restruturá-las. A UPP É um importante programa que precisa ser mantido. Vamos aprimorá-lo, com serviços de assistência social — disse ontem o governador.

LEIA : Do partido de Witzel, deputado critica intenção de retomar UPPs: ‘Um projeto falido’

Entre as melhorias propostas, Figueredo propõe a substituição dos contêineres usados como sedes de UPPs por construções de alvenaria, a recomposição do contingente de policiais e a reposição de viaturas, armamentos e coletes balísticos. Num evento em maio, ele apontou o possível uso de verbas transferidas do Ministério Público do Trabalho, oriundas de multas trabalhistas, para fazer as obras.

“Atualmente, as UPPs se parecem mais com minibatalhões nas comunidades, longe de sua concepção original de polícia de proximidade”

IGNACIO CANO
Sociólogo e professor da Uerj
Ontem, a PM não deu detalhes sobre as propostas de Figueredo. Sociólogo e professor da Uerj, Ignacio Cano, no entanto, afirma que não bastam obras para dar novo fôlego ao projeto:

— Atualmente, as UPPs se parecem mais com minibatalhões nas comunidades, longe de sua concepção original de polícia de proximidade. A política atual do governo, que estimula o confronto, também vai na contramão dessa ideia.

O MAPA DA
PACIFICAÇÃO
RIO DE
JANEIRO
29 UPPS continuam
em atividade
BAÍA DE
GUANABARA
Complexo da Penha
Complexo
do Alemão
Arará/
Mandela
Jacarezinho
Barreira do Vasco e Tuiuti
Complexo de Manguinhos
Providência
São João, Quieto e Matriz
Mangueira
Lins
Macacos
Turano
Andaraí
Escondidinho
e Prazeres
Borel
Formiga
Santa Marta
Salgueiro
Tabajaras
Babilônia
e Chapéu
Mangueira
Rocinha
Vidigal
Pavão-Pavãozinho

Já o presidente da Associação de Oficiais Militares Estaduais do Rio (AME/RJ), coronel Fernando Belo, concorda com os planos do secretário da PM, mas ressalta que as UPPs precisam de correções de rumos:

— Não há como pacificar uma comunidade se apenas a polícia estiver presente.

Enquanto isso, na Assembleia Legislativa (Alerj), o projeto de lei 4.395/18, de autoria do deputado Rosenverg Reis (MDB) e que aguarda uma segunda votação, determina a extinção das UPPs. A proposta de recuperação dessas unidades é criticada, inclusive, por governistas como o deputado Bruno Dauaire (PSC, mesmo partido de Witzel):

“A UPP é um projeto falido com a cara do (ex-governador Sérgio) Cabral. Não tem lógica investir em algo que já se mostrou ineficiente”

BRUNO DAUAIRE
Desputado estadual
— A UPP é um projeto falido com a cara do (ex-governador Sérgio) Cabral. Não tem lógica investir em algo que já se mostrou ineficiente.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior