Trilogia de Lira Neto desmonta mitos sobre os primórdios do samba

O grupo de jovens negros descia o morro e ia para o asfalto “pra brigar, pra ser preso, pra apanhar, pra bater”, como resumia um deles. Não se trata de um noticiário alarmista extraído dos jornais de hoje sobre arrastões, rolezinhos ou bondes. A descrição é do Grupo dos Arengueiros, bloco de foliões que foi o embrião da Estação Primeira de Mangueira. Entre os fundadores do Arengueiros, estava Cartola (1908-1980) — é dele, aliás, a fala destacada acima. Episódios e personagens como esses atravessam “Uma história do samba — As origens” (Companhia das Letras), do jornalista e escritor cearense Lira Neto (da trilogia “Getúlio”), que cobre a trajetória do gênero desde seus antecedentes até o início dos anos 1930 — ainda serão lançados mais dois volumes. Leia trechos do primeiro livro da trilogia.

Desmontando mitos ou a clássica narrativa linear e harmoniosa sobre o tema, o autor expõe uma história erguida sobre conflitos e negociações, povoada de arruaceiros e cafetões, de navalhadas e assassinatos, de traições e plágios — na fervura de um grupo social sobre o qual pesavam o racismo da sociedade e as políticas urbanas higienistas do Estado.

Para João Máximo, o livro traz “saborosas histórias sobre formidáveis personagens” dos primeiros 50 anos do samba. A fase heroica — ou anti-heroica, corrige Lira Neto — do samba vista em detalhes e sem paternalismos, como defende o escritor nesta entrevista.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Divulgação