Desde que o Autódromo de Jacarepaguá foi demolido para a construção do Parque Olímpico da Barra, o automobilismo fluminense agoniza. Na época, o projeto oferecia uma contrapartida para a modalidade: a construção simultânea de um circuito, com direito a kartódromo, numa área militar situada em Deodoro. A promessa está formalizada num documento assinado em 30 de junho de 2008 por representantes da União, do município, do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e da Confederação Brasileira de mais alto, que será usado na F-1 neste ano.
Para pressionar as autoridades na busca por uma solução, há três anos esportistas, empresários, políticos e amantes da velocidade criaram o Movimento Pró-Autódromo, que cobra uma solução para o impasse. Na semana passada, o grupo se reuniu com o ministro do Esporte, Leonardo Picciani, no Parque Olímpico da Barra, e expôs a situação. Um dos líderes do movimento, o presidente da Federação de Automobilismo do Estado do Rio de Janeiro (Faerj), Djalma Neves, revela o teor do encontro.
— O ministro disse que a área em Deodoro foi pedida pelo prefeito Marcelo Crivella para a construção de um parque. Eu não acho que as duas iniciativas sejam conflitantes. Há vários autódromos-parques pelo mundo, como Spa-Francorchamps, na Bélgica; Socchi, na Rússia; e Albert Park, na Austrália — lista.
O empresário José Campiti, membro do movimento, entende que investir no automobilismo é fundamental para potencializar a arrecadação e o turismo da cidade.
— Um autódromo não é apenas um local para corridas. Ele pode abrigar uma série de serviços, como posto de saúde e escolas. E o potencial de atração de receitas é enorme. Em São Paulo, por exemplo, o dia do GP Brasil de Fórmula 1 é o de maior arrecadação de ISS para a cidade. Com um circuito, o Rio pode estar na mídia internacional a cada três meses — afirma.
O presidente da Faerj explica que o grupo conta com o apoio da indústria hoteleira.
— O Rio precisa de grandes eventos para sustentar a hotelaria que, devido aos Jogos Olímpicos, passou de 18 mil para 48 mil quartos. Isso não é sustentável apenas com carnaval e réveillon. Na época das provas de Fórmula 1, os pilotos chegavam aqui com uma semana, dez dias de antecedência, para aproveitar o potencial turístico e as belezas naturais da cidade — afirma Neves.
O Ministério do Esporte informou, por meio de nota, que a construção de um autódromo no Rio está nos planos do governo federal, mas não há recursos à disposição para o projeto. Por isso, o órgão não trabalha com prazos e espera firmar uma parceria com a prefeitura.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto:Gustavo Stephan/08-07-1998