De máscaras no rosto e espadas, floretes ou sabres em punho, eles iniciam os “assaltos” com as armas brancas. Num combate real, ferir-se seria uma possibilidade, mas o material usado em aula evoluiu bastante para minimizar qualquer risco. Arte marcial de origem militar, até então considerada um esporte mais sofisticado e pouco comum no Brasil, a esgrima vem se popularizando entre os frequentadores do Sesc Madureira, que oferece aulas semanalmente, em três turmas dividas por faixa etária. A acessibilidade também passa pelo valor cobrado na mensalidade: R$ 50 (R$ 30 para associados da instituição). Há ainda bolsas gratuitas previstas pelo Programa de Comprometimento e Gratuidade (PCG) para filiados que comprovem baixa renda.
O projeto começou em 2013, mas nos últimos meses, com a proximidade das Olimpíadas, as turmas já se aproximam da lotação, com 33 alunos matriculados (92% de ocupação), sendo 12 vagas por classe. Quem os acompanha é o professor Guilherme Giffoni.
— Os Jogos Olímpicos sempre estimulam as pessoas. Chamo de “olimpilhada”! Mas é uma iniciativa real, séria e sem precedentes, capaz de abrir as portas deste nobre esporte às camadas mais populares — diz.
Aghda Gabriela Ferreira é sua aluna há cerca de um ano.
— Já tinha interesse pela modalidade quando via em filmes. Soube das aulas por uma amiga, a única que conheço que pratica o esporte. É uma ótima oportunidade, pois não há outro lugar que ofereça na região — diz a jovem, moradora de Oswaldo Cruz.
Ex-atleta do Vasco, onde foi consagrado campeão carioca de esgrima no florete masculino, Giffoni se formou em mestre d’armas (capacitação para formar outros professores) em 2007. Há sete anos, é técnico na modalidade espada da equipe nacional de pentatlo moderno. Para ele, os ganhos desta prática vão além da atividade física.
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— A esgrima desenvolve capacidades intelectuais e morais. E como exercício, permite queimar até 500 calorias por hora — garante.
O traje completo inclui jaqueta, plástico, calça, luva, tênis e meia, além da máscara. Sob os comandos “Em guarda”, “Prontos” e “Combate!”, a dinâmica tem início na sala espelhada do Sesc. Há fios presos aos lutadores para a contagem dos pontos (os equipamentos vêm da Hungria), também viabilizada por sensores ligados à ponta da arma ou integrados ao uniforme. São eles que fazem uma lâmpada acender a cada golpe certeiro. O chão um tanto escorregadio os leva, de tempos em tempos, a pisar com o tênis numa porção de talco, algo dispensável numa pista de esgrima oficial.
SERVIÇO
Sesc Madureira — Quartas e sextas, às 17h30m (11 a 14 anos); 18h30m e 19h30m (acima de 15 anos). R$ 50 por mês.
Fonte: O Globo
Foto: Agência O Globo / Fabio Rossi
Postado por: Raul Motta Junior