A coloração verde da Lagoa de Jacarepaguá, localizada às margens do Parque Olímpico, na Barra, tem chamado a atenção de quem passa pelo local. A explicação para a mudança de tonalidade é a proliferação cianobactérias. Com o verão se aproximando, o esgoto que desemboca na lagoa associado a altas temperaturas e radiação solar torna-se território perfeito para o aumento das microalgas.Segundo o biólogo Mario Moscatelli, que sobrevoou a região neste sábado, a coloração é comum nesta época do ano. Moscatelli, no entanto, alerta que os banhistas devem tomar cuidado caso as microalgas sejam arrastadas para o mar.
– As pessoas não tem noção do perigo que estão correndo. Há várias espécies de microalgas. Uma delas, a microcystis aeruginosa, é tóxica e acumulativa. Então, as pessoas devem evitar ingerir esse tipo de toxicidade, pois podem desenvolver um câncer de fígado. Os animais que vivem na lagoa, por exemplo, já estão todos contaminados. No verão e quando a maré estiver baixa, a área do Quebra-Mar e do Pepê não é utilizável. É um suicídio mergulhar no verão nesses dois pontos – afirmou o biólogo.
Jacaré aparece morto morto no meio da Lagoa de Marapendi – Mário Moscatelli / Divulgação
Nas fotos feitas por Moscatelli, dá para ver a coloração escura do esgoto na foz dos rios Arroio Pavuna e Pavuninha, dois dos três rios que desembocam na Lagoa de Jacarepaguá. O biólogo também registrou um jacaré morto na Lagoa de Marapendi. Segundo ele, é o quinto em 15 dias.
Procurado, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) evita falar a palavra esgoto. Ao explicar a mudança de tonalidade da água, afirmou, em nota, que se deve a um conjunto de fatores como “a contribuição de matéria orgânica de origem natural e antrópica advinda dos rios e das galerias de águas pluviais no entorno, associada à estabilidade da coluna d’água, à radiação solar e às altas temperaturas”. De acordo com o órgão, amostras das águas das lagoas da Barra e de Jacarepaguá são analisadas em diferentes pontos uma vez ao mês.
LEGADO AMBIENTAL ABANDONADO
A recuperação ambiental do complexo que reúne as lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca e Marapendi era um dos compromissos assumidos pelo governo do estado para os Jogos Olímpicos. A previsão era de que o trabalho, licitado em 2013, fosse concluído a tempo da Olimpíada, mas denúncias de irregularidades e contestações dos ministérios públicos estadual e federal acabaram atrasando o início das obras, que só foram autorizadas no fim do ano passado.
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Em setembro deste ano, com o agravamento da crise financeira do estado, o Instituto Estadual de Ambiente (Inea) suspendeu o contrato com a empresa responsável por despoluir o complexo lagunar. Os recursos foram arrestados, por ordem judicial, para o pagamento da folha salarial do estado.
Os rios que desembocam no complexo lagunar também seguem mortos. O projeto que trataria suas águas a tempo da Olimpíada também foi abandonado pela prefeitura. O Plano de Sustentabilidade dos Jogos Rio 2016 afirmava que, para reduzir a carga poluidora que desemboca no sistema lagunar, a “melhor opção” seria implantar Unidades de Tratamento de Rio (UTRs), a exemplo da que já existe no Arroio Fundo.
Seriam quatro, nos rios Anil, das Pedras, Arroio Pavuna e Pavuninha. Depois, no entanto, a prefeitura alegou que a solução técnica não seria a mais adequada, por ser apenas paliativa. O prefeito Eduardo Paes chegou a dizer que, economicamente, o projeto não se sustentava, por haver apenas uma empresa que pudesse manter essas unidades. Não foi apresentado, porém, outro remédio. E a Secretaria municipal de Saneamento e Recursos Hídricos destacou que a solução definitiva só virá com a realização de outras obras de saneamento, de responsabilidade da Cedae.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior