Após o período de reformas, a estufa Memorial Mestre Valentim (1745-1801), que fica no arboreto do Jardim Botânico, volta a ficar disponível ao público que visita o parque a partir desta terça-feira. Conforme noticiou a coluna de Ancelmo Gois, além das samambaias, o espaço também terá de volta as obras de duas Aves Pernaltas, feitas pelo escultor em 1785. As peças de liga de bronze e estilo rococó foram levadas para o parque, em 1905, a pedido do então diretor, João Barbosa Rodrigues.
Mas, antes disso, já tinham embelezado o Passeio, primeiro jardim público do Brasil, que também tem a assinatura do Mestre Valentim. As esculturas tinham sido projetadas originalmente para fazer parte do Chafariz das Marrecas e do Jacaré.
Além das obras de Valentim, restauradas em 2015, a estufa, que já abrigou uma coleção de violetas africanas, agora se dedicará a ter mais de 30 espécies de samambaias, trepadeiras, aquáticas, terrestres e epífitas (espécies que se desenvolvem sobre outras plantas sem ter uma relação parasita). A ideia é reunir plantas nativas da Mata Atlântica, bioma que concentra 883 espécies da família das samambaias, e também espécies exóticas como o chifre-de-veado ( Platycerium bifurcatum ), oriundo da Oceania.
— As samambaias sempre fizeram do fundo verde do bromeliário e do orquidário. Estão espalhadas pelo parque, mas não havia um espaço que conseguisse reunir uma diversidade de plantas e de formas. Queremos mostrar um pouco de tudo — diz a pesquisadora Claudine Massi Mynssen, especializada em samambaias.
Ao lado de cada planta, há um QR Code que leva o visitante a textos com mais informações sobre a samambaia em questão, como distribuição na natureza e curiosidades. Assim, os frequentadores poderão saber mais um pouco sobre as populares avencas, a trepadeira abre-caminho ( Lygodium-volubile ), muito comum e usada em rituais religiosos, e a Dicksonia sellowiana , usada na fabricação de xaxim e que está em extinção.
— A proposta é também chamar a atenção do público para o cuidado dessas espécies. Geralmente as pessoas não sabem mesmo muitas informações sobre isso, por isso a ideia é ser bem didático para que os alunos possam estudar mais sobre o assunto — informou Claudine.
O Memorial Mestre Valentim foi inaugurado em 1997 para proteger e preservar as peças originais do escultor e urbanista mineiro, como as estátuas da ninfa Eco e do caçador Narciso, figuras da mitologia grega que foram as primeiras esculturas fundidas no Brasil. Essas seguirão no Galpão Mestre Valentim, no próprio Jardim Botânico, pois não podem ser expostas à umidade.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior