A festa do Estandarte de Ouro celebrou a Mangueira, na noite deste sábado, como a grande campeã do carnaval de 2019. A Verde e Rosa levou quatro categorias da premiação realizada pelos jornais O Globo e Extra — Escola; Samba Enredo; Porta-bandeira, com a Squel; e o destaque do público, com a menina Cacá Nascimento, de 14 anos.
— O samba é muito mais forte do que essas pessoas que passam pela nossa vida — alfinetou o dirigente Álvaro Caetano, o Alvinho da Mangueira, que representou a escola.
VEJA: Leia o debate do Estandarte de Ouro
A Mangueira, escola que mais vezes venceu o Estandarte de Melhor Escola, com nove premiações, fez um mini desfile na Avenida. Levou algumas alas, passistas, mestre-sala e porta-bandeira, baianas e comissão de frente. Alvinho dedicou título ao presidente da escola, Chiquinho da Mangueira, que foi preso em novembro do ano passado pela Operação Furna da Onça.
— No dia 9 de novembro, a gente reuniu um comitê de crise. E foi ali que decidimos ganhar esse título — revelou o dirigente e ex-presidente.
A Paraíso do Tuiuti, a Portela, a Grande Rio, a Vila Isabel, o Salgueiro e o Acadêmicos do Cubango venceram em duas categorias cada. Já União da Ilha e Mocidade ficaram cada uma com um prêmio.
O ritmo da noite ficou por conta da bateria da Grande Rio sob o comando do mestre Fafá, estreante na Sapucaí e já vencedor do Estandarte de Ouro na categoria. Eles tocaram os sambas de todas as escolas que se apresentaram na premiação e houve uma dobradinha entre o mestre Fafá e o mestre Macaco Branco, vencedor no quesito Revelação do ano — prêmio foi entregue por Mart’nália. A bateria da Verde e Rosa fechou a noite para a entrega dos prêmios da grande vencedora.
As dificuldades de financiamento neste ano apareceram também nos discursos da noite. Hélio Bejani, que ganhou o prêmio de Inovação com os capacetes de emoji que voavam pela Avenida, parabenizou todos os que conseguiram fazer o carnaval de 2019.
— Mesmo com todas as dificuldades, a gente colocou o bloco na rua — afirmou.
A noite ainda ficou marcada por recordes e sonhos. Phelipe Lemos foi o primeiro mestre-sala da história do prêmio a ganhar quatro vezes na categoria. Já o carnavalesco Jackson Vasconcellos revelou que esta é uma noite memorável.
— Meus amigos sabem que eu sempre sonhei com isso. E agora se realizou — conta o profissional que está de mudança para a Mocidade e levou, pela Paraíso do Tuiuti, o título de melhor enredo.
O Estandarte de Ouro é organizado desde 1972 pelo GLOBO. O troféu também tem a participação do jornal Extra. A premiação tem 15 prêmios para o Grupo Especial e dois para a Série A, ambos vencidos este ano pela Acadêmicos do Acadêmicos do Cubango.
O júri é composto pelo jornalista Argeu Affonso, presidente; o escritor Alberto Mussa; o jornalista Aloy Jupiara; o empresário Bruno Chateaubriand; a cantora Dorina; o professor da Uerj Felipe Ferreira; o ator, produtor e escritor Haroldo Costa; o jornalista Leonardo Bruno; o produtor musical Luis Filipe de Lima; o pesquisador Luiz Antonio Simas; o jornalista Marcelo de Mello, coordenador; a professora e carnavalesca Maria Augusta; o músico Mestre Odilon; e a pesquisadora e escritora Rachel Valença, que só julgou as duas categorias da Série A.
Diferentemente do júri oficial, o Estandarte de Ouro não dá notas e escolhe os melhores em sistema de votação, com vitória por maioria simples. E não pune falha técnica, caso a considere irrelevante no conjunto.
Confira os vencedores deste ano
Escola: Mangueira
Enredo: “O Salvador da Pátria”, da Paraíso do Tuiuti
Personalidade do Ano: Tia Nilda, da Mocidade
Comissão de frente: Portela, com coreografia de Carlinhos de Jesus
Mestre-sala: Phelipe Lemos, da União da Ilha
Porta-bandeira: Squel Jorgea, da Mangueira
Puxador: Gilsinho da Portela
Bateria: Grande Rio, com comando de mestre Fabrício Machado
Samba-enredo: “História pra ninar gente grande”, da Mangueira
Passista masculino: Hudson Gaspar, da Vila Isabel
Passista feminino: Bellinha Delfim, do Salgueiro
Baianas: Salgueiro
Ala: “O bode picando a mula do Sertão”, do Paraíso do Tuiuti
Revelação: Mestre Macaco Branco, da bateria da Vila Isabel
Inovação: Emojis voadores da comissão de frente da Grande Rio
Melhor Escola da Série A – Acadêmicos do Cubango
Melhor Enredo da Série A – Acadêmicos do Cubango
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior