Desativadas há um ano, as 22 estações do corredor Transoeste que ficam ao longo da Avenida Cesário de Melo, no trecho entre Campo Grande e Santa Cruz, estão sendo desmontadas. Nesta terça-feira, uma equipe com uniformes do BRT trabalhava na retirada da estrutura da estação Júlia Miguel, em Paciência. Na véspera, tinha sido a vez da Santa Eugênia, no mesmo bairro, perder peças. O processo começou na semana passada pela Cesarão 1 e já atingiu pelo menos nove estações — no desmonte, estão ficando só as carcaças.
— A ordem que recebemos foi a de retirar tudo que pudéssemos, de todas as estações. No final do dia, um caminhão passa e leva tudo — contou um integrante da equipe, que preferiu não se identificar.
O grupo retirava vidros das portas, corrimãos, grades, caixas d’água e catracas. As bilheterias eram desmontadas. Apenas a estrutura construída pela prefeitura deve ficar de pé. Peças, equipamentos e mobiliário instalados pelo consórcio estão sendo levados. Em algumas estações, como a Cesarão 3 e a Vila Paciência, não há, no entanto, o que ser aproveitado. Após sucessivos ataques e depredações, elas já estão vazias.
Moradores assistiram com tristeza ao desmonte e temem o fim definitivo do serviço, que chegou a transportar 30 mil passageiros por dia. Quase 17 mil desses usuários, no entanto, não pagavam passagem, segundo dados do BRT, que alega prejuízos deixados pelos calotes.
— Minha suspeita é de que é para acabar de vez. É uma pena. A gente precisa tanto do BRT. Hoje, para ir até a Barra da Tijuca precisamos nos deslocar até Santa Cruz ou Pingo D’água e enfrentar filas intermináveis para viajar num ônibus lotado. Isso aqui virou um verdadeiro elefante branco. Só comeu dinheiro público — se queixou o vigilante Alexandre Rocha, morador de Paciência.
O coordenador de transporte Waldir Pereira está entre os que ainda têm esperança de ver os articulados circulando de novo pela pista exclusiva da Cesário de Melo:
— A obra já está implantada. Só não retomam se não quiserem.
O BRT está sob intervenção da prefeitura desde o começo do ano. Na terça, em nota, a comissão de intervenção afirmou que está “diagnosticando os problemas do sistema” e preparando uma proposta de edital para nova licitação. E disse estudar um modelo de estação menos vulnerável ao vandalismo. Mas não informou se as estações desmontadas serão, futuramente, reativadas.
As empresas que operam o BRT, por nota, lamentaram o desmonte, que seria “prova do descaso e da incompetência” do poder público.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior