Essa cidade está diferente: confira o que mudou no Rio com a quarentena

O Rio de Janeiro nunca foi tão diferente para cariocas e fluminenses. A pandemia fechou o comércio, esvaziou os transportes públicos e deixou as praias praticamente sem ninguém. Na marra, a população teve que rever hábitos e mudar completamente o estilo de vida. Isso trouxe problemas — uma pesquisa da Fecomércio estima que 464 mil pessoas ficarão sem trabalho no estado: é como se toda a cidade de Campos dos Goytacazes fosse, de uma hora para outra, dispensada do emprego. Por outro lado, houve redução do lixo e da poluição do ar.

Uma nota técnica do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e da prefeitura do Rio aponta que, em toda a Região Metropolitana, a poluição atmosférica diminuiu na quarentena. Em Santa Cruz, foi identificada uma queda de 91% na concentração de dióxido de nitrogênio (NO2), emitido em grande volume por veículos a diesel, como caminhões e ônibus.

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A concentração de monóxido de carbono (CO), lançado sobretudo por veículos a gasolina, também caiu: em Copacabana, a redução foi de 75%, resultado do pouco tráfego visto nas ruas.

— A qualidade do ar tem ficado numa classificação boa — diz o gerente de monitoramento da Secretaria municipal de Meio Ambiente, Bruno Bôscaro França. — Antes, era regular ou até inadequada.

Algo que explica essa melhora são as alterações drásticas no sistema de transporte público. De acordo com o sindicato Rio Ônibus, até o início da pandemia, 3,5 milhões de passageiros viajavam por dia: agora, a quantidade é 70% menor. O mesmo percentual de queda foi constatado no BRT, que fechou 27 estações. A situação se mostra semelhante no metrô, que recebia 900 mil em dias úteis e agora funciona com 149 mil — uma redução de 83%.

Até o vaivém na Baía de Guanabara mudou: nas barcas, somente 25% dos usuários (que eram 80 mil por dia antes da chegada do coronavírus) seguem viajando entre o Rio e Niterói. Na SuperVia, a média diária é 204 mil, menos da metade do total registrado antes da pandemia, 600 mil.

Menos carros nas ruas significa menos acidentes. A CET-Rio informou que, de segunda a sexta-feira da semana passada, suas equipes fizeram somente 47 atendimentos. Para se ter uma ideia de como esse cenário se modificou, entre 9 e 13 de março (a semana pré-isolamento social), esse número chegou a 120 (61% maior).

O cenário vazio nas ruas, especialmente nas praias, nos parques e nas praças, além da quantidade menor de feiras livres, produziu outro efeito: o lixo recolhido pelos garis da Comlurb caiu consideravelmente. No domingo retrasado, a quantidade de sujeira encontrada nas ruas foi 24% menor em relação ao dia 8, antes das medidas de isolamento.

Sobre o lixo domiciliar, a redução na semana passada foi de 12%, na comparação com o período pré-coronavírus. Para a Comlurb, a queda está ligada ao consumo mais consciente, com economia de comida e produtos, além de reaproveitamento de alimentos.

Hoje há mais consciência também em relação ao outro. O espírito solidário da população do Rio pode ser demonstrado pelas milhares de pessoas que se candidataram a trabalhos voluntários junto à Secretaria estadual de Saúde. Até ontem à noite, eram 26,5 mil dispostos a colaborar.

A economia do estado também sofre, que o diga o setor do turismo. Depois de um carnaval no qual a rede hoteleira carioca registrou 93% de quartos reservados, o prejuízo para este mês é calculado em mais de R$ 130 milhões. A informação é da Associação de Hotéis do Rio (ABIH-RJ), que calcula a ocupação atual em 5%.

Animais maltratados
Mas vivenciamos tempos difíceis. Um dado triste é o aumento no número de denúncias sobre maus-tratos recebido pela Comissão de Defesa dos Animais da Câmara Municipal do Rio. De 13 de março a 13 de abril, foram feitas 75 por WhatsApp — antes, eram, no máximo, 20 por mês. Pelas redes sociais, a média mensal não passava de cem; durante a quarentena, já são mais de 400.

— Nessa crise, há pessoas passando fome e abandonando os animais — diz Luiz Carlos Ramos Filho (PMN), presidente da comissão.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior