Coronavírus: engenheira cria pia itinerante para pessoas em situação de rua no Rio

Para reforçar o combate ao novo coronavírus, a engenheira Ana Paula Rios, de 33 anos, criou o projeto “Pia do Bem” e instalou pias itinerantes em diversos pontos do Rio de Janeiro com a ajuda de voluntários e parceiros. A iniciativa visa auxiliar a população em situação de rua e trabalhadores que não têm como higienizar as mãos com frequência, principal recomendação para evitar a Covid-19.

– A melhor maneira de se proteger da doença é lavar as mãos, algo que para muitos é simples e pode ser feito em casa. A população de rua, porém, não tem essa possibilidade. Por isso tive a iniciativa e fui atrás de parceiros para tirar o projeto do papel. Em meio à pandemia, acredito que quando alguém protege a população de rua, também está se protegendo – ressalta Ana Paula.

Caso seja abastecida em média duas vezes ao dia, a pia pode gerar 4,5 mil lavagens por mês e o custo mensal é de seis centavos por lavagem. A primeira foi instalada no último dia 7, na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, em parceria com o Sindicato dos Servidores das Justiças Federais (Sisejufe). A iniciativa chamou a atenção do jogador Marcelo, carioca que atua como lateral no Real Madrid, e o atleta custeou a produção de outras cem unidades.

A pia é montada com madeirite, baldes e canos PVC. Há dois módulos na estrutura onde fica um balde com água limpa e outro onde é armazenada a água já utilizada. Os demais insumos necessários à higienização, como sabonetes e toalhas de papel, também foram doados. Aline Pinheiro atuou no desenvolvimento do projeto, Layla Lima fez o design, e a equipe de marcenaria foi comandada por Renata Cianella, Carolina Lopes e Beta Olivier.

Até o momento, 81 pias foram instaladas em locais como o Leme, Feira de Tradição Nordestinas, em São Cristóvão, Praça Saez Peña, na Tijuca, e nas proximidades do Hospital Souza Aguiar, no Centro. Outras 19 unidades serão distribuídas ainda nesta semana. Também foram feitas doações de pias para projetos que já atendem à população de rua e que podem transportar a estrutura nas áreas onde atuam.

Ana Paula espera que a população carioca abrace o projeto e contribua para a manutenção e abastecimento da pia, o que pode ser feito de maneira simples. Qualquer pessoa pode levar água em uma garrafa pet para encher o balde. Além disso, um arame simples segura o sabão e as toalhas de papel, o que também facilita a reposição.

– O projeto foi criado por mim, mas é algo destinado para todos. As pessoas em situação de rua, os comerciantes e os moradores, podem adaptar a pia da maneira que acharem melhor. A primeira que colocamos no Centro, por exemplo, já foi toda customizada pelo grupo que dorme naquele local. Em outra instalada em São Cristóvão, colocaram ao lado um cesto para a doação de livros. Recebemos também a foto de outra onde usaram tijolos para aumentar um pouco a altura da pia. É realmente gratificante – conta.

A engenheira também é idealizadora de outros dois projetos sociais. O “Banho da Alegria” leva há três anos um chuveiro itinerante para a população de rua e o “Da Rua para Você” promove há um ano e meio cursos de capacitação para pessoas na mesma situação.

– A iniciativa do chuveiro itinerante está parada já que é necessário reunir muitos voluntários. No “Da Rua para Você” os principais cursos são de estamparia e também foi preciso dar uma pausa porque vender camisetas e canecas não são a prioridade no momento. Minha renda também sai do projeto, então estou praticamente sem. A situação está ruim para todos. Por isso é ainda mais importante a gente se ajudar para sair dessa situação logo – conta Ana.

Nesta segunda, mais uma pia começou a funcionar em frente à sede da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) na Avenida Marechal Câmara 314, também no Centro do Rio. A instituição se comprometeu a abastecer regularmente o reservatório de 13,6 litros de água instalado na calçada.

— Participar da concretização deste projeto é primeiro um ato de humanidade e, depois, uma resposta positiva da instituição, que sempre se preocupou com a vulnerabilidade da população em situação de rua, especialmente neste momento de pandemia. Uma ação que possibilitará a quem está na rua o acesso à higiene tão necessária para a prevenção da doença — destaca a secretária de Engenharia da DPRJ, Luciene Torres Pereira.

Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior