Cresce o número de esportistas e fotógrafos que tentam flagrar baleias no mar do Rio

O mar do Rio está para peixe. E, agora, também para baleias. O passeio das jubartes pelas praias da Zona Sul e da Barra rumo às águas quentinhas do Arquipélago de Abrolhos, na Bahia, tem deixado os cariocas eufóricos. Desde o mês passado, o balé dessas gigantes, que chegam a pesar 40 toneladas, vem atraindo uma legião, que, além de apreciar a beleza das piruetas, busca um clique ao lado de uma barbatana. Na expectativa de avistar os animais, esportistas e fotógrafos têm organizado verdadeiras “caçadas”.

Na semana passada, praticantes de canoa havaiana deram sorte após partirem do Posto 6, em Copacabana, em direção às Ilhas Cagarras. No percurso, esbarraram em três baleias, que deram um show de mais de dez minutos. O instrutor Márcio Adriani, diz que o encontro foi uma surpresa, já que o grupo costuma fazer outra rota.

— Normalmente, remamos em direção ao Leme ou à Ipanema. Neste dia, tive um feeling e fomos para as Cagarras. Foi maravilhoso, emocionante — contou ele, motivado por um vídeo que viralizou ao mostrar o salto de uma baleia perto de remadoras na Barra da Tijuca. — As pessoas estão animadas em praticar o esporte para ver os mamíferos de perto — disse Adriani, que recebeu cinco novos alunos no mês passado.

Embarcações devem manter uma distância de 100 metros dos animais. Apesar de inofensivas, baleias são enormes e pesam toneladas. Se uma pessoa for atingida poruma nadadeira, pode fraturar ossos ou até desmaiar.
Embarcações devem manter uma distância de 100 metros dos animais. Apesar de inofensivas, baleias são enormes e pesam toneladas. Se uma pessoa for atingida poruma nadadeira, pode fraturar ossos ou até desmaiar.
LEIA: Shows de baleias jubarte nas praias do Rio devem durar até setembro; vídeos

Verdadeira caçada
Os cetáceos também não saem da cabeça do professor de fotografia Marcello Cavalcanti. No início de junho, ele reuniu um grupo que, de máquinas em punho, zarpou para alto mar com a missão de clicar baleias. A turma não conseguiu, mas, semanas depois, Marcello avistou, da janela do seu apartamento, no Leme, uma jubarte. Era o que faltava para ele partir para outra aventura.

— Acionei um barqueiro, cheguei na Urca em 20 minutos e embarcamos, mas não conseguimos avistá-la. Vou continuar tentando, tenho certeza que um dia eu consigo — afirmou, cheio de esperança.

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O marinheiro Bruno Majella, que faz passeios náuticos, também sonha com o momento de ver um animal de pertinho. E não é só ele. A procura de clientes interessados em ver uma jubarte aumentou nos últimos dias:

— Na hora de negociar o aluguel do barco, os clientes, especialmente os cariocas, sempre perguntam se é possível ver baleia. Não dá para garantir, mas sempre ficamos todos à espera.

BALEIAS DÃO ‘SHOW’ NA BAÍA DE GUANABARA
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Os saltos das baleias jubarte, que recentemente viralizaram nas redes sociais, têm tudo para se tornar uma imagem cada vez mais comum no litoral do Rio Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo
Os saltos das baleias jubarte, que recentemente viralizaram nas redes sociais, têm tudo para se tornar uma imagem cada vez mais comum no litoral do Rio Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo
A estimativa é que 20 mil jubartes passeiem pelo Rio até setembro Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo
A estimativa é que 20 mil jubartes passeiem pelo Rio até setembro Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo
A cidade está na rota das baleias costeiras, que, nesta época do ano, saem da Antártida em busca das águas quentes do Sul da Bahia para se reproduzirem Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo
A cidade está na rota das baleias costeiras, que, nesta época do ano, saem da Antártida em busca das águas quentes do Sul da Bahia para se reproduzirem Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo
O GLOBO flagrou cinco jubartes adultas e uma jovem na entrada da Baía de Guanabara. Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo
O GLOBO flagrou cinco jubartes adultas e uma jovem na entrada da Baía de Guanabara. Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo
Apesar da bela imagem da baleia indo até a superfície para respirar, é preciso manter distância dos animais Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo
Apesar da bela imagem da baleia indo até a superfície para respirar, é preciso manter distância dos animais Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo
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Alguns chegam a pesar 40 toneladas, distribuídas em 15 metros de comprimento. Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo
Alguns chegam a pesar 40 toneladas, distribuídas em 15 metros de comprimento. Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo
Show na Região dos Lagos
Para não correr riscos de sair da água frustrado, tem gente até que prefere procurar baleias fora do Rio. Na última segunda-feira, mergulhadores saíram da capital rumo à Búzios na intenção de encontrar os animais.

— Escolhemos Búzios porque faz parte da rota delas. O barqueiro nos levou ao melhor ponto e encontramos. Nunca tinha visto baleia de perto, foi espetacular— contou José Augusto da Silva.

Em Arraial do Cabo, o Trilhas Arraial Turismo de Aventura passou a oferecer roteiros específicos para avistamento de baleias. Em junho, as saídas aconteceram apenas aos domingos. Agora, a frequência será maior, promete o empresário Maycon Victorino:

— Ano passado, 400 pessoas fizeram o passeio. Este ano, acredito que vamos atender pelo menos o dobro.

Para se aproximar de uma baleia é preciso ter, além de sorte, cuidado. O alerta é da coordenadora do projeto Ilhas do Rio, Liliane Lodi, que diz que os curiosos devem manter uma distância mínima de cem metros:

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— Forçar uma aproximação é perigoso. Elas são inofensivas, mas precisam de espaço para fazer suas atividades. Vinte minutos é o tempo máximo de observação para não estressá-las. As pessoas estão se arriscando muito.

Quem ainda não conseguiu avistar uma baleia, não deve desistir. A previsão é que 20 mil animais passem pelo Rio até setembro. Neste período, elas deixam o mar gelado da Antártida para se reproduzirem em águas quentes, rasas e tranquilas.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior