Inaugurado há menos de um ano, o Novo Elevado do Joá apresenta pontos de corrosão. Alertada por moradores da Praia dos Amores, a equipe do GLOBO-Barra esteve no local e enviou as imagens obtidas para dois engenheiros do Conselho Reginal de Engenharia e Agronomia (Crea). Segundo os especialistas, os problemas não parecem capazes de comprometer a estrutura, mas justificam uma vistoria técnica mais apurada.
As falhas estão na altura da Praia dos Amores. Moradores se preocupam em especial com dois pontos: uma corrosão que deixou ferros à mostra e um cano que serve para escoamento de água pluvial mas aparentemente está entupido ou mal fixado, já que o concreto à sua volta exibe sinais de infiltração.
O conselheiro do Crea Antônio Eulálio explica que, pelas imagens, não há rachaduras, apenas corrosão das armaduras (estruturas de concreto armado). Ele chama a atenção para as juntas preenchidas com argamassa entre placas pré-moldadas que serviram de fôrma para a execução da laje concretada. Segundo ele, há duas hipóteses que precisam ser consideradas em relação a elas.
— Se as as placas pré-moldadas estão incorporadas à laje do viaduto, a corrosão pode evoluir e provocar rompimento local, com desplacamento de partes de concreto sobre pessoas e até queda do elevado, caso não haja manutenção por muitos anos. Se as placas só serviram de fôrma, não há risco de queda, mas sim de partes do concreto — explica Eulálio.
Abilio Borges, também engenheiro do Crea, lembra que esse tipo de falha chegou a comprometer o elevado antigo.
— Esses ferros que estão expostos tinham que ter recobrimento de massa de no mínimo dois centímetros, e estamos vendo que não têm. É preciso tomar providências para não repetirmos o erro do elevado antigo. Não sei se foi falha de projeto ou de fiscalização da obra — diz.
Umidade. Segundo moradores, cano vaza água em dias de chuva – fotos de fabio rossi
Borges também mostrou preocupação com a umidade no entorno do cano por onde vaza água em dias de chuva. Ele é outro que acha necessária uma vistoria.
— Parece que há manchas marrons de água e pequenos buracos. No canto superior, há um pedaço mais branco, num formato que parece o de uma cobra, que talvez já seja descarbonatação do concreto, que é quando a água e o ar passam pelo interior dele e atacam o ferro — diz Borges. — É preciso haver manutenção imediata. É pouca coisa, mas não é o tipo de problema que podemos deixar para depois, pois há o risco de virar algo maior.
Após ser procurada pelo GLOBO-Barra, a Fundação Geo-Rio realizou uma vistoria no local, na última segunda, e contastou que não há risco iminente. O órgão requereu obras de manutenção à empresa responsável, que devem começar em uma semana, segundo rege o contrato.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Agência O Globo