Blocos de carnaval temem falta de infraestrutura durante desfiles

Os organizadores dos principais blocos de carnaval da cidade vivem hoje um clima de incerteza. A turma da folia teme que a prefeitura não consiga oferecer toda a infraestrutura necessária para os desfiles no ano que vem. O motivo: falta de recursos. Lançado em julho, o chamamento público para que empresas financiem o carnaval de rua carioca só conseguiu arrecadar, até agora, 14% do total previsto. A Riotur, no entanto, diz que a festa está garantida e que a prefeitura vai colocar seu bloco de agentes públicos na rua, como faz todos os anos, nem que para isso precise investir dinheiro público.

Uma reunião marcada para a última segunda-feira com representantes de grandes blocos foi adiada pela Riotur, causando ainda mais revolta entre os dirigentes. O encontro foi remarcado para a ‪próxima segunda-feira‬. Em entrevista ao GLOBO, o presidente da Riotur, Marcelo Alves, disse, no entanto, que lançará, até sexta-feira, a segunda fase do chamamento público. Com isso, novas empresas poderão ajudar a financiar o carnaval de rua carioca. Caso não haja mais interessados, ele afirma que a prefeitura poderá arcar com o que faltar.

Até agora, apenas a proposta da Ambev, de investir R$ 8,1 milhões na folia, foi aprovada. O chamamento público realizado em julho previa o lançamento de 13 cotas de patrocínio, chegando ao valor total de R$ 56 milhões. Nessa segunda etapa do processo, Alves espera aprovar também a proposta da Uber, que chegou a oferecer R$ 10 milhões via Lei Rouanet. Procurada, a empresa de transporte de passageiros preferiu não se manifestar.

— A gente quer que a prefeitura invista o menos possível. Por isso, estamos no mercado negociando com marcas, visitando empresas semanalmente, como bancos, telefônicas, produtos de alimentos. Não há desespero. Os blocos não tem por que estar apreensivos. O carnaval vai acontecer ainda melhor e ainda maior. Toda a estrutura será mantida — afirma o presidente da Riotur, que estima apresentar todo o planejamento da festa até o fim de outubro.

A falta de transparência e de diálogo com a prefeitura, no entanto, tem deixado muitos organizadores apreensivos. Presidente da Folia Carioca, que reúne 20 agremiações dos quatro cantos da cidade, Roberto Vellozo disse que o poder público tem virado as costas para os grupos.

— Desde a transição, não estamos sendo ouvidos. Já colocamos nossas ponderações, mas insistem em, unilateralmente, definir o planejamento. Queremos um pouco mais de participação — afirma Vellozo.

A jornalista Rita Fernandes, presidente da Sebastiana, representante de 12 blocos, diz, por sua vez, que o Rio vive hoje um retrocesso. Ela propõe ainda a criação de uma Lei do Carnaval para definir regras e obrigações para a festa. A primeira reunião na Câmara de Vereadores está marcada para esta quinta-feira.

— Enquanto São Paulo, Belo Horizonte, Olinda, Recife e Salvador estão bombando, aqui no Rio há um retrocesso absoluto. Está todo mundo aflito. Essa coisa da infraestrutura é séria, pode dar um nó na cidade. Já vivemos isso na década de 90. Não queremos voltar atrás. Não queremos perder tudo o que demoramos para conquistar. Tudo o que caminhamos para melhorar, pode se perder — alerta.

Diretor do Simpatia É Quase Amor, Dodo Brandão diz que, mesmo sem recursos, o bloco, um dos pioneiros da ‘retomada’ do carnaval de rua carioca, vai desfilar:

— Vamos fazer nem que seja um carnaval menor. Vamos sair nem que seja tocando no chão, com a nossa alegria. Ninguém vai calar a gente.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior