Bancado pela iniciativa privada, Leblon Presente poderá sair do papel até maio

Até maio, as ruas do Leblon devem receber o reforço de mais de 120 agentes que farão o policiamento diariamente, das 7h à 1h, para inibir a criminalidade na região. Inspirados pelo programa Segurança Presente, já implantado na Lagoa, no Aterro do Flamengo, no Centro, na Lapa e no Méier, moradores e empresários do bairro uniram forças — e recursos — para tirar o Leblon Presente do papel. São fundos de investimento, shoppings, farmácias, construtoras, administradoras, supermercados, laboratórios e condomínios envolvidos na iniciativa.

De acordo com a Associação Comercial do Leblon, a operação vai custar R$ 10 milhões ao ano, sendo 80% deste valor destinados à manutenção dos homens da segurança, oriundos da Polícia Militar e civis egressos das Forças Armadas. Espalhados em duplas, eles vão fazer o policiamento em bicicletas, em sua maioria. Mas também haverá motos e carros envolvidos nas rondas.

Além disso, 95 câmeras instaladas no bairro e duas torres móveis, que captam imagens num alcance de quatro quilômetros e em 360 graus, enviarão as imagens para uma central de monitoramento, que terá as dependências da associação como sede. Tudo isto para conseguir reduzir em até 50% os índices de criminalidade já no primeiro ano de operação.

Duas das ocorrências mais comuns no bairro são os assaltos à mão armada e o furto de bicicletas. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), o Leblon é o campeão de casos envolvendo bikes (foram 18 em novembro).

— Nossa iniciativa será uma parceria público-privada mesmo. Estamos conversando com a Secretaria de Governo e estipulamos que os homens andarão em duplas pelo bairro, da Cruzada São Sebastião até o Alto Leblon. É um plano ambicioso — conta Evelyn Rosenzweig, presidente da Associação Comercial do Leblon e da Associação de Moradores e Amigos do Leblon.

Além disso, quatro assistentes sociais se juntarão às equipes para o trabalho de abordagem e encaminhamento da população de rua aos abrigos.

Os pontos de atuação dos agentes serão definidos levando-se em conta as regiões em que os índices de ocorrências de crimes são mais altos, como as ruas General San Martin e Visconde de Albuquerque e a Avenida Ataulfo de Paiva, e adaptados conforme a necessidade da população. Apesar de custeado pela iniciativa privada, o ganho salarial virá nos contracheques dos agentes, sem pagamento direto dos empresários aos policiais.

— Este é um projeto que nós abraçamos porque tem legitimidade e legalidade, não é uma segurança particular. São pessoas treinadas para isso, que podem andar armadas. Fora que gera uma requalificação do policial — ressalta Evelyn. — O programa dá a chance de o profissional que é odiado pela sociedade ser valorizado. Ele gera um esforço de mudança de comportamento dentro da própria PM.

Segundo a Secretaria de Governo do Estado (Segov), a proposta foi encaminhada ao governo e está em fase de estudo.

SEGURANÇA PRESENTE CORRE RISCO

A Operação Segurança Presente, que corre risco de ser suspensa por falta de financiamento, prendeu quase sete mil suspeitos na Lagoa, no Aterro, no Méier e no Centro, desde dezembro de 2015, quando foi criada. O projeto ajudou ainda a conter os números da violência. Na Lagoa, por exemplo, de junho a outubro de 2017, não houve assalto a turista ou a ciclista. O número de roubos a pedestres, em ônibus e de celular também caiu em 34%, segundo indicadores estratégicos de criminalidade, medidos pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) da Secretaria de Segurança.

Numa parceria com o governo do estado e a prefeitura (esta apenas no Centro), a Fecomércio investiu R$ 44 milhões na Segurança Presente nos últimos dois anos. A operação envolve 900 policiais nas quatro regiões. Até a última sexta-feira, a Segurança Presente já havia registrado 6.045 prisões em flagrante, além da captura de 941 foragidos da Justiça. Só na Lagoa, 728 suspeitos foram detidos e 38 foragidos, levados para a delegacia.

O risco de a entidade suspender o apoio ao projeto foi divulgado na coluna de Ancelmo Gois, no GLOBO. A decisão caberá a Luiz Gastão Bittencourt, que assumiu, como interventor, o comando do Sesc/Senac do Rio (que faz parte do Sistema Fecomércio) em dezembro. Sob suspeita de irregularidades administrativas, a direção da entidade no Rio foi afastada por decisão da Justiça a pedido da Confederação Nacional do Comércio.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior