Associações de moradores da Zona Sul não querem megablocos em 2020

A volta do desfile do Bloco da Favorita em Copacabana, no carnaval do ano que vem, acendeu o alerta vermelho entre associações de moradores da Zona Sul. O megabloco, que arrastou cerca de cinco milhões de pessoas para a orla de Copacabana em 2018, acabou não saindo este ano após desentendimentos junto à Riotur relativos ao local, que passaria a ser na Avenida Antônio Carlos, no Centro. Este ano, o bloco reuniu cerca de 420 mil pessoas .

— A pressão vai aumentar, e vamos estar juntos a outras associações que também querem se ver livres de megablocos em seus bairros. Esse ano foi um sucesso, com blocos circulando em Copacabana com uma média de cinco mil pessoas — conta Tony Teixeira, presidente da AmaCopa.

A decisão proibindo o desfile do Favorita acabou revertida por um aval assinado pelo chefe da Casa Civil, Paulo Messina (PRB), às vesperas do carnaval. Carol Sampaio, promoter responsável pelo evento, acabou decidindo por colocar o bloco na rua em outra ocasião.

— O Monobloco, o Bloco da Preta e outros já saíram Zona Sul e foram para o Centro. Por que o mesmo não pode acontecer com a Favorita? Tem que ter respeito por quem mora aqui. É o que falo sempre com a Riotur: ficou gigante, tem que colocar em lugar gigante — diz Tony Teixeira.

O problema dos megablocos se repete em outros bairros da Zona Sul. As reclamações, em geral, são as mesmas, seja na Gávea, Leblon ou Ipanema: sujeira, excesso de pessoas e caos.

— Não queremos esses blocos aqui apenas por uma questão de bom senso. Não temos condições de receber esses eventos, e nem a prefeitura e o Estado têm capacidade de lidar com eles. Enquanto eram blocos de duas mil pessoas, era viável — diz Evlyn Rosenweig, presidente da AmaLeblon.
Tony Teixeira diz ainda ser necessário que as associações atuem em conjunto.

— Todos os bairros estão integrados. As pessoas saem de um bloco em Copacabana e vão para Ipanema e depois para o Leblon. É algo completamente normal, mas que implica em um desafio para a organização — diz.

O presidente da AmaGávea, Rene Hanseclever, afirma querer apenas o Bloco A Rocha da Gávea circulando pelo bairro em futuros carnavais. Ele diz ainda que está estudando uma forma jurídica de pressionar o poder público para que outros blocos saiam da regiã.

— O A Rocha é um bloco que atrai um número relativamente pequenos de pessoas. Somos um bairro com apenas uma entrada e uma saída, além de termos hospitais importantes como o Miguel Couto e a clínica São Vicente Não dá para ter um Suvaco de Cristo por aqui — diz Hanseclever, criticando ainda os blocos que usam a Gávea para se dispersar.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior