No filme “Antes que eu me esqueça”, que estreia nos cinemas dia 24, Polidoro (José de Abreu) é um juiz aposentado de 80 anos que resolve dispensar o conforto conquistado com a aposentadoria e se arriscar na gerência de uma boate de striptease. O cenário? Copacabana, bairro com grande concentração de idosos e que, entre as décadas de 1970 e 1980, abrigava famosos inferninhos (alguns ainda estão de pé, mas de forma discreta). O diretor Tiago Arakilian conta, porém, que a inspiração para criar Polidoro nasceu de um morador da Barra.
— Ele andava torto, devia ter uns 85 anos, mas ainda virava o pescoço para as meninas que passavam — lembra Arakilian. — No filme, a libido quase não tem relação com o sexo, ela se expressa mais como energia de vida. Polidoro se torna sócio da boate porque está nos estágios iniciais do Alzheimer. O personagem vê a doença como sua última chance de tentar algo diferente.
Embora a casa noturna tenha como locação um imóvel no Centro, “Antes que eu me esqueça” se passa em cenários conhecidos de Copacabana, como a Praça Serzedelo Correia — onde Polidoro conhece senhores que vão passar a frequentar a boate — e o Posto 6, importante na reconciliação do protagonista com o filho Paulo (Danton Mello).
Distantes um do outro por uma briga familiar, os dois voltam a estabelecer contato depois de uma decisão judicial. Paulo é obrigado a avaliar as faculdades mentais do pai, que, de acordo com a filha Beatriz (Letícia Isnard) deveria ser interditado por já não ter mais a capacidade de agir por conta própria — para ela, a senilidade de Polidoro o teria feito gerenciar o negócio.
— Além de discutir a sexualidade, o relacionamento familiar e o Alzheimer, o filme é o registro de uma época. Ele retrata a terceira idade e, portanto, essa concentração de idosos do bairro, que vem se transformando devido à especulação imobiliária. É muito caro morar em Copacabana, e os moradores mais velhos acabam saindo por dificuldade financeira. Daqui a alguns anos, essa característica pode se perder — salienta o diretor.
Tiago Arakilian divide o comando do filme com Luisa Parnes, que assina o roteiro. Estreante em longas-metragens, dá aulas de script em Nova York, onde vive, mas virá ao Rio para a estreia. Antes disso, ministra na terça o curso “Fundamentos do roteiro – conflitos, estrutura e personagem”, em Copacabana, das 18h30m às 21h30m. A aula será no CEP (Avenida Nossa Senhora de Copacabana 928, sala 1202), com investimento de R$ 150. Inscrições pelo e-mail .
Fonte: O Globo
postado por: Raul Motta Junior