Ele nasceu na Mooca, em São Paulo, viajou todo o mundo e chegou a morar na França. Mas é no Leblon que o ator Edwin Luisi se sente em casa. Prestes a reestrear a peça “Alair”, ele também celebra os 40 anos vividos no bairro que escolheu para morar. É ali que gosta de ir à praia, fazer compras, passear com sua moto, bater papo na banca de jornal, ir à farmácia, à academia, à livraria…
— O Leblon é a síntese do lugar ideal para morar. Pela facilidade de andar, pelo conhecimento entre as pessoas, pela gentileza que uns moradores têm com os outros. Ou seja, todas as características de bairro que valorizo — diz.
Luisi conta que é do tempo em que o Talho Capixaba era só um açougue (hoje é um misto de delicatessen e padaria) e a única academia do bairro era a Academia Coelho, na Praça Atahualpa. Nesses 40 anos, virou, sem dúvida, um personagem do bairro:
— Cheguei numa época em que o Leblon não era tão festejado quanto hoje. Nesse período, muitas coisas mudaram, mas acho que o espírito do bairro permaneceu.
Prestes a completar 71 anos, ele morou em apenas em dois endereços na região. O primeiro, na Rua Dias Ferreira; e o segundo, na parte baixa do Alto Leblon, como costuma dizer. Aquariano, desses que adoram mudanças, fez cinco reformas totais no apartamento e agora pensa em se mudar, depois de 30 anos no mesmo endereço. Chegou a ver um em Ipanema do qual gostou muito, mas não consegue arredar o pé do Leblon.
— Quero mudar, pois minha rua fica numa ladeirinha. Para subir, não dá para ir a pé, por isso uso a moto. Já estou com 70, não sei até quando vou poder fazer esse esforço — explica ele, contando qual é a sua rua preferida no bairro. — A que mais curto é a Aristides Espínola. É tranquila e tem tudo perto.
E nessa vida corrida de “dono de casa”, como costuma falar, Edwin sempre encontra o tempo necessário para se dedicar ao trabalho. Com 45 anos de carreira, galã da primeira versão da novela “A escrava Isaura”, de 1976, ele fala com ânimo renovado de seu mais recente trabalho.
“Alair”, com direção de Cesar Augusto e texto de Gustavo Pinheiro, faz uma homenagem ao fotógrafo Alair Gomes (1921-1992), reconhecido como precursor da fotografia homoerótica no Brasil. Ele conquistou a consagração internacional com seu trabalho, que reuniu mais de 170 mil negativos cujo tema central era a beleza do corpo masculino. A peça reestreia neste domingo, no Teatro Ipanema.
— Recebi o convite e quando comecei a ler a peça me emocionei profundamente. Dei uma pausa nos projetos que tinha em andamento e decidi que seria o Alair — lembra Edwin, revelando sua “queda” pelo teatro de vanguarda. — É algo que pontua muito minha carreira. A peça traz uma inquietação e tem uma ligação com a contemporaneidade. Posso dizer que este é um dos melhores espetáculos de que participei na vida.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior