Uma das principais características do Arco Metropolitano, inaugurado em 2014, são as fileiras de mais de quatro mil modernos postes com placas de energia solar ao longo dos 72 quilômetros da via que liga Caxias a Itaguaí. Mas, como se não bastasse estarem apagados, os equipamentos, com nove metros de altura, estão sendo roubados. Nesta terça-feira, uma equipe do GLOBO percorreu todo o Arco e verificou que 45 postes já desapareceram. Vinte e três estavam derrubados em suas margens.
Construído para desafogar o trânsito nos acessos ao Rio, o Arco custou R$ 2 bilhões aos cofres públicos. Foram gastos R$ 97,7 milhões para instalar os 4.310 postes de aço com placas de energia solar acopladas e lâmpadas de LED, a um custo de mais de R$ 22 mil cada um. Na época, o governo do estado anunciava que a rodovia seria uma das maiores estradas do mundo iluminadas com o uso de fonte energética renovável. O investimento, no entanto, não trouxe conforto aos motoristas, que evitam trafegar pelo local principalmente à noite, por causa da violência.
Em julho, O GLOBO mostrou que os roubos das placas de energia solar e das baterias, além da falta de manutenção, deixaram a rodovia às escuras, situação que não mudou. A via também é arriscada para os motoristas de caminhões, que, segundo o Sindicato das Empresas de Transporte e Logística do Estado do Rio de Janeiro (Sindicargas), evitam o percurso, preferindo gastar mais tempo no trânsito em outras rotas.
— Na semana passada, eu fui a Angra dos Reis e consegui contar pelo menos 40 postes derrubados. Estão levando muitos e não é de hoje — relatou o consultor em aquecimento solar Alexandro Mello, que mora em Duque de Caxias e sempre passa pela via.
Os postes caídos às margens da rodovia mostram que as baterias, que ficam num compartimento no alto, são o alvo dos bandidos. Mas eles não param por aí. As quadrilhas estão levando tudo: poste, bateria, placas solares, lâmpadas. Moradores da região acham que o material está sendo vendido.
— O que a gente nota é que as baterias têm sido o principal objeto dos furtos, mas acreditamos também que os postes estão sendo levados para venda em ferros-velhos — disse Walter Henrique de Miranda, morador de Nova Iguaçu, que costuma praticar exercícios no acostamento da via. — Eu e minha esposa corremos aqui, mas sabemos que não dá para fazer isso sem a luz do dia.
O sumiço do material acontece ao longo de toda a estrada. A Secretaria estadual de Obras informou que a Fundação Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ), responsável pela manutenção da via, registrou alguns furtos de postes na 60ª DP (Campos Elíseos). A polícia teria recebido as primeiras queixas em fevereiro, mas os roubos continuaram depois disso. Procurada, a Polícia Civil não se manifestou.
Fixação dos postes é frágil
A fragilidade da fixação dos postes às bases pode estar facilitando a ação dos criminosos. O Batalhão de Policiamento Rodoviário (PBRv), que faz o patrulhamento da estrada, informou que já pediu à Secretaria de Obras um reforço na conexão da estrutura. Segundo a unidade, “a fixação é frágil, facilitando a derrubada”. A PM admitiu que nenhum suspeito desses furtos foi preso e acrescentou que os batalhões de Caxias, Mesquita e Queimados apoiam o policiamento na região, que é “feito de forma dinâmica, por viaturas, 24 horas por dia”.
Em nota, a Secretaria estadual de Obras informou que o DER/RJ “aguarda disponibilidade financeira, frente à grave crise do estado, para retomar a operação da via de forma completa”. Ressaltou ainda que, na época da liberação do tráfego na rodovia, o governo do Rio “assumiu a manutenção em caráter provisório”.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior