Polícia vai evitar operações no entorno de escolas e hospitais em horários movimentados

O secretário de Segurança, Roberto Sá, publicou nesta terça-feira, no Diário Oficial do Estado do Rio, uma série de orientações para minimizar o risco de mortes de inocentes durante operações das polícias Militar e Civil. As principais dizem respeito às ações em áreas próximas a escolas, creches, postos de saúde e hospitais. O texto foi publicado mais de quatro meses após a morte da estudante Maria Eduarda Alves da Conceição, de 14 anos, baleada na cabeça dentro da quadra da Escola municipal Daniel Piza, em Acari, durante uma troca de tiros entre PMs e bandidos.

No texto, Sá pontua que as operações policiais em áreas sensíveis deverão seguir, a partir de agora, uma série de orientações de segurança, entre as quais a não realização de incursões durante ‘horários de maior fluxo de entradas e saídas de pessoas de tais estabelecimentos, principalmente, entrada e saída de alunos nos estabelecimentos de ensino”. Outra determinação importante está relacionada ao não baseamento das tropas nas entradas e no interior de instituições de ensino e unidades de saíde, “de maneira a evitar que os mesmos tornem-se alvo em potencial de infratores armados”.

Desta forma, a Secretaria estadual de Segurança espera evitar que casos como a morte da estudante Maria Eduarda se repitam. De acordo com a Delegacia de Homicídios, o inquérito da investigação aponta o cabo da PM Fábio de Barros Dias como o culpado pela morte da estudante.

Além das orientações para operações mais cautelosas em escolas e hospitais, Roberto Sá também determina na publicação que a polícia tem o dever de proteger em suas ações ” “toda e qualquer pessoa que não represente ameaça de morte ou de lesão corporal grave a terceiros ou a policiais”, além de agir de forma não discriminatória com pessoas que estejam passando pelos locais onde os agentes de segurança estiverem atuando.

No último dia 9, a Justiça do Rio aceitou a denúncia contra Fábio de Barros e David Centeno, indiciados pelo crime de homicídio com dolo eventual, quando assume-se o risco de matar mesmo quando a pessoa atingida não é necessariamente o alvo. No corpo da adolescente, os peritos encontraram fragmentos da bala de um fuzil de calibre 7,62. Para a polícia, o cabo Fábio assumiu o risco de matar ao fazer disparos na direção da escola, de onde dois criminosos também atiravam.

JACAREZINHO TEM MAIS UM DIA SEM AULAS

Pelo quinto dia consecutivo, a Favela do Jacarezinho foi palco de tiroteios, e um homem acabou morto durante a troca de tiros entre agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (Core) e traficantes da região. Ainda no confronto, uma mulher acabou ferida, e um caveirão da Core foi atingido por um coquetel Molotov.

Por causa do confronto, escolas da região foram fechadas pelo seegundo consecutivo. Nesta segunda-feira, durante uma operação da PM no Complexo do Lins, mais de 7 mil alunos ficaram sem aulas no Lins, em Maria da Graça e no Jacarezinho. Por questões de segurança, dez escolas, sete creches e seis Espaços de Desenvolvimento Infantil foram fechados.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior