Não foi só o Edifício Roxy, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, que instalou uma espécie de “chuveirinho” na marquise para afastar moradores de rua. Um prédio no Largo do Machado também adotou a mesma medida e, há cerca de um ano, usa um cano furado preso ao teto para jogar água na entrada do imóvel. Na sexta-feira, um vídeo que mostra a fachada do Roxy alagada viralizou nas redes. Ao tomar conhecimento do assunto, na segunda-feira, o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) vistoriou o local e ficou de pedir a retirada do equipamento.
Procurada nesta terça-feira, a síndica do prédio do Largo do Machado não foi encontrada para comentar o caso. Um funcionário do edifício, que fica no número 8 e é residencial, confirmou a instalação do chuveirinho, mas disse que nunca viu o equipamento ligado. No entanto, moradores de rua que vivem na região confirmam que ele funciona e jorra água fria durante a madrugada.
— Na semana passada mesmo eu estava sob a marquise, e eles ligaram a água. Foi o maior choque térmico. Isso é uma uma crueldade. A gente mora na rua, mas também é ser humano. Onde vamos dormir? — lamentou Gildom Barbosa dos Santos, que vive nas ruas do bairro há quase cinco anos.
Um outro morador de rua, que não quis se identificar, disse que o chuveirinho também é ligado durante o dia. A água atinge quem passa pela calçada:
— O maior problema é durante a madrugada, mas eu já vi eles ligarem na parte da tarde. Uma senhora ficou toda molhada e não entendeu o que estava acontecendo. Se tiver algum morador de rua parado em frente ao prédio, eles abrem a água e nem se importam.
Um morador do Largo do Machado, que sempre passa em frente o número 8, disse que já viu o equipamento ligado:
— É um absurdo! Eles ligam o chuveiro quando tem gente sob a marquise.
Secretária municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, Teresa Bergher informou que vai pedir à Secretaria de Urbanismo que inspecione o local.
— Isso é desumano e mostra que parte da sociedade está doente. É um ato cruel e covarde e não ajuda em nada a resolver o problema. Morador de rua não é poeira que se possa varrer — disse Teresa, que ainda nesta semana vai acionar o Ministério Público, em relação ao caso do Roxy.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior