Com temperatura mais baixa, aumenta casos de gripe no Rio

Olhos avermelhados, nariz entupido, espirros e muita dor no corpo. Foi só a temperatura cair para consultórios médicos, postos de saúde e emergências serem tomados por pacientes com sintomas de gripe e resfriado.

O número de pessoas atingidas pela virose nos seis primeiros meses deste ano pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) — casos mais graves de gripe e que precisam ser notificados obrigatoriamente à Secretaria municipal de Saúde — já é 28% maior do que o registrado no mesmo período de 2015. No entanto, ainda está longe de chegar ao número registrado no primeiro semestre do ano passado, quando casos de gripe H1N1 assustaram os cariocas, com a confirmação de uma morte por complicações da doença, enquanto São Paulo já vivia um surto.

Segundo a Secretaria municipal de Saúde do Rio, do começo do ano até junho, foram notificados 278 casos. Nesse mesmo período de 2016, foram 697. E, em 2015, o município fechou o primeiro semestre com 216 diagnósticos. A gripe comum não é uma doença com notificação obrigatória.

— A vacinação é importante para reduzir o número de casos graves de gripe. Por ser uma doença sazonal, a gripe tem maior incidência entre os meses de junho e agosto, e isso reflete no sistema de saúde, seja nas clínicas da família, nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) ou nas emergências de hospitais. Mas não temos percebido nas unidades básicas um aumento de casos de gripe comum, além do já esperado para esta época do ano — afirma Leonardo Graever, superintendente de Atenção Primária da Secretaria municipal de Saúde.

Mas, se em 2016, em função do aumento de casos de H1N1, houve uma corrida aos postos de saúde pela vacina, este ano, a procura foi bem menor, levando o Ministério da Saúde a liberar a vacinação até para pessoas que não eram do grupo prioritário. No ano passado, a Secretaria municipal de Saúde superou a meta da campanha, imunizando 88,3% da população-alvo — idosos a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias, gestantes, mulheres até 45 dias após o parto, doentes crônicos e profissionais de saúde, totalizando mais de 1,6 milhão de pessoas. Este ano, 76,5% do grupo prioritário foram vacinados. Com a liberação da imunização para a população em geral, o total de doses aplicadas chegou a mais de 1,7 milhão.

— É fundamental que idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas e imunodeprimidas se vacinem contra a gripe todos os anos. Nas últimas semanas, mais de 60% dos pacientes que atendíamos no consultório apresentavam quadros gripais e de infecção respiratória. Isso é comum nesta época do ano, em função das mudanças de temperatura e de as pessoas frequentarem mais ambientes fechados — diz o pneumologista Ricardo Meirelles.

O médico ressalta que a vacina contra o vírus influenza não causa gripe:

— Alguns pacientes chegam ao consultório relatando que ficaram gripadas após tomar a vacina. É importante esclarecer que a vacina não causa gripe nem protege contra todos os tipos de vírus da gripe, mas apenas contra os três mais frequentes. Além disso, pode se tratar de um resfriado e, nesse caso, o vírus não é o influenza — explica Meirelles, acrescentando que essas viroses também podem abrir caminho para infecções secundárias, causadas por bactérias. — Isso é mais comum em idosos e pacientes com doenças respiratórias crônicas. Daí a importância da vacinação, que reduz a possibilidade de complicações.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo