Riotur reduz número de postos de atendimento a visitantes e limita horário dos que sobraram

O turista chega a Ipanema e quer descobrir por qual rua balançava a garota da música, a caminho do mar. Outro visitante, após ver as belezas da cidade do alto, desce do Pão de Açúcar e tenta saber qual o melhor meio de transporte entre a Urca e Santa Teresa, próxima atração de seu roteiro. Se depender da prefeitura do Rio, os dois vão ficar sem resposta. A Riotur, órgão responsável por divulgar o Rio no Brasil e no exterior, fechou, na segunda-feira, metade dos postos de atendimento a turistas da capital. Dos 14 quiosques, só sobraram sete. E, mesmo assim, em situação precária, com atendimento em horários reduzidos.

O balde de água fria no atendimento a turistas, no momento em que se discute como a vocação da cidade para receber e encantar visitantes pode atrair mais investimentos e criar empregos, aconteceu por conta do fim do contrato com a Maza, empresa que prestava o serviço e demitiu, na última sexta-feira, os 63 recepcionistas bilíngues que trabalhavam nos quiosques. A maioria dos que agora procuram emprego atuava no projeto desde junho de 2013, quando a prefeitura começou a instalar os pontos de informação de olho no contingente de turistas que visitariam o Rio na Copa do Mundo de 2014 e na Olimpíada.

Para não interromper definitivamente todo o atendimento, a Riotur, que pagava R$ 260 mil mensais à Maza, apelou para estagiários. São os aprendizes do órgão, junto a funcionários desviados às pressas de função, que estão mantendo sete unidades abertas. O improviso tem seu custo. O quiosque da Rodoviária Novo Rio, por exemplo, que funcionava 24h, agora só atende em horário comercial: somente quem desembarca entre 9h e 18h consegue algum tipo de informação. Nos aeroportos, a situação é parecida.

O posto do Santos Dumont, que abria das 6h às 22h, hoje funciona apenas das 11h às 19h. No Tom Jobim, o atendimento é encerrado três horas mais cedo. O serviço foi suspenso em Ipanema, no Leblon, na Barra, no Pão de Açúcar, em Santa Teresa, na Praça XV e na Candelária. Apenas endereços considerados estratégicos permanecem abertos. Além dos pontos nos aeroportos e na rodoviária, estão funcionando os dois da Praia de Copacabana, o do Largo do Machado e o que funciona na Shopping da Gávea.

– Infelizmente, achamos melhor fechar alguns postos do que atender de forma precária. Inicialmente, pensamos em usar os estagiários em mais postos, mas não foi possível – explica o gerente de atendimento e serviços da Riotur, Maurício Werner.

Com a desativação dos centros de informação, tem sobrado trabalho para os vizinhos dos quiosques. Em Ipanema, um camelô que trabalha na Praça Nossa Senhora da Paz, ao lado da estrutura fechada, diz que tenta ajudar. Mas a boa vontade esbarra na falta de conhecimento de outros idiomas:

– Quem está dando informação sou eu. Quando o turista fala a minha língua, eu consigo ajudar. Se não, é impossível.

Na Lapa, o turista fica também perdido: o posto de informações foi desativado em abril, e o quiosque, retirado da calçada, segundo a Riotur, por falta de segurança. A estrutura já havia sido arrombada diversas vezes.

– Os gringos apareciam pedindo informação e era só apontar para lá. Desde que fechou, muitos turistas têm vindo aqui pedir ajuda e perguntar onde conseguem mapas da cidade. É ruim porque parece que a Lapa está largada – lamenta Jussilene Braga, gerente de uma lanchonete no bairro.

Os funcionários de um posto de gasolina próximo ao quiosque desativado também andam fazendo trabalho extra.

– Agora os turistas estão vindo pedir informação para a gente. Viramos posto de gasolina e de informação – brinca Ednaldo Cintra.

A falta de uma estrutura adequada decepciona os visitantes. O baiano João Pedro Azevedo, que está no Rio com um amigo argentino, ficou espantado por não encontrar um local de atendimento turístico na Lapa.

– Eu precisava saber que ônibus pegar para ir à Praia da Barra – contou.

O turista chileno Mauricio Dominguez, que chegou anteontem à cidade, contava com a ajuda de um posto para encontrar um local para se hospedar.

– Existem poucos postos de informações na cidade. No Centro, por exemplo, não achamos nenhum. Fomos bem atendidos em Copacabana, mas faltam informações sobre hospedagem. Chegamos cedo ao Rio e só conseguimos um apartamento bem tarde – reclamou.

No posto da Avenida Atlântica, na altura da Rua Hilário de Gouveia, além de faltarem informações sobre hospedagem, também não é possível obter o guia com informações sobre museus e restaurantes, nem a revista mensal com a programação da cidade, ambos em falta há meses. Apesar dos contratempos, o casal Mario e Nadia Caldas, que veio de Castanhal, a 70km de Belém do Pará, elogiou o atendimento no local:

– Fomos muito bem atendidos. Como deve ser, né? O Rio é uma cidade turística, vive disso – disse Mario.

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado do Rio, Alfredo Lopes, a redução dos postos de informação complica ainda mais a vida de quem visita a cidade:

– Além de não termos uma boa sinalização, agora faltam postos de informações. Conversei com o presidente da Riotur e ele me disse que está fazendo uma licitação para contratar uma nova empresa, com pessoas mais qualificadas, mas isso já tem dois meses. O que me parece é que não tem orçamento aprovado pelo prefeito. Enquanto isso, estamos enxugando gelo.

Segundo o gerente de atendimento da Riotur, o fechamento de metade dos quiosques é temporário e, em no máximo dois meses, a cidade vai conhecer um novo projeto, que prevê a modernização e a ampliação do serviço de atendimento. A estimativa é que 20 novos equipamentos sejam instalados até 2018:

– Vamos aumentar o número de postos para 20 e eles vão funcionar em instalações mais modernas e confortáveis. Estamos estudando se iremos fazer uma licitação para contratar nova empresa ou se iremos buscar uma parceria público-privada para diminuir os custos para o município. O que sabemos é que os postos do Rio não estavam à altura do que se oferece em outras cidades do mundo. Além disso, sabemos que hoje os turistas usam muito mais aplicativos e sites para buscar dicas.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Fábio Rossi / Agência O Globo