Prefeitura reforça segurança de Jacarepaguá com mais guardas municipais

Eleita pelos moradores como a demanda prioritária da região, a segurança em Jacarepaguá foi reforçada com a chegada de 64 guardas municipais e a contratação de mais 60, que devem começar a patrulha em setembro. No fim de abril, a prefeitura anunciou o Programa de Segurança Integrada de Jacarepaguá, elaborado pela Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop). O projeto consiste, basicamente, em botar mais agentes na rua e melhorar a integração com a Polícia Militar. Paralelamente, a Associação Comercial de Jacarepaguá (Acija) assinou um convênio com o governo do estado com o objetivo de utilizar a estrutura de câmeras do Centro Integrado de Comando e Controle para monitorar a área.

No último dia 29, o prefeito Marcelo Crivella anunciou o programa a moradores, em Jacarepaguá. A fase “provisória”, como definiu o titular da Seop, Paulo Amendola, já começou. Sessenta e quatro guardas reforçaram o efetivo, até então de 200 homens, em Jacarepaguá, Freguesia, Pechincha, Taquara e Praça Seca, considerados os bairros onde era mais necessário aumentar a vigilância, de acordo com os relatórios de inteligência. Outros 60 agentes, recém-aprovados em concurso, devem se apresentar ainda este mês e, em setembro, após participarem de um curso de formação de três meses, vão para as ruas da região. O apoio operacional contará com a chegada de dez motocicletas e quatro carros. Destes, duas motos e um carro já estão à disposição.

— A prefeitura tem ido aos bairros ouvir a demanda dos moradores. Como há problemas de caixa, queremos saber quais são as necessidades. Em Jacarepaguá, os moradores disseram que era a segurança — explica Amendola, acrescentando que outras localidades da região, como Anil e Tanque, serão cobertas pelo programa. — Os bairros prioritários foram definidos de acordo com estatísticas policiais. Mas haverá deslocamento motorizado dos agentes a lugares próximos.

Além do reforço de pessoal, outro foco do programa é o estímulo à utilização de imagens de câmeras externas dos bairros. Amendola explicou que, de acordo com um decreto municipal do início do ano, hoje qualquer imagem de rua da cidade pode ser enviada ao Centro de Operações Rio (COR). Com o Segurança Integrada de Jacarepaguá, a intenção é que mais câmeras sejam integradas ao sistema. A Seop sugeriu ainda a criação de uma central de monitoramento local, mas financiada pela iniciativa privada.

— Um patrocínio da associação comercial poderia concretizar esse projeto. No COR já concentramos muitas imagens. Nossa sugestão é que, além disso, exista uma central exclusiva para Jacarepaguá, A prefeitura não tem caixa hoje para montar a estrutura, mas nós capacitaríamos as pessoas contratadas para analisar as imagens, e colocaríamos a Guarda Municipal para dar suporte — afirma Amendola, explicando que as negociações para tentar obter recursos estão a cargo da Superintendência de Jacarepaguá. — Na Zona Sul, já fizeram prisões graças a imagens de câmeras. Temos convicção de que a tecnologia poderia ajudar.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Jacarepaguá (Acija), Edison Parente, revela que, no fim do ano passado, a associação assinou um convênio com o governo do estado e obteve autorização para manter um funcionário no Centro Integrado de Comando e Controle, central de monitoramento semelhante ao COR, com a missão de monitorar exclusivamente as imagens de Jacarepaguá.

— É um acordo inédito. Um passo tremendo para a segurança de Jacarepaguá. Com isso, não precisamos mais montar uma central de monitoramento; já usamos a estrutura do próprio estado. Teremos um funcionário nosso lá, que fará contato com o 18° BPM (Jacarepaguá) e as delegacias da região. Usaremos as imagens de câmeras das nossas empresas associadas, que já estão integradas ao sistema, e de novas câmeras que ainda podemos atrair — explica Parente.

Para o diretor da Associação de Moradores da Freguesia (Amaf), Jorge da Costa Pinto, uma central de monitoramento própria seria mesmo o melhor investimento em segurança.

—Muitos prédios têm câmera externa; daria para fazer um monitoramento em tempo real. Isso poupa dinheiro público e é um investimento na inteligência — diz Costa Pinto, que também defende a utilização das imagens para ajudar na orientação do tráfego. — Com informações em tempo real, a Seop poderia mandar um operador de trânsito aos locais necessários.

Amendola concorda que uma central poderia ser usada para fazer o trânsito fluir melhor. Esse é outro ponto contemplado pelo Segurança Integrada de Jacarepaguá, que resultará na designação de mais 12 guardas municipais para a função de orientar o tráfego:

— A situação do trânsito em Jacarepaguá é crítica. Já pedimos o levantamento das áreas de maiores retenções, para que possamos juntar esforços com a CET-Rio. Em 30 ou 40 dias deveremos ter esse projeto pronto.

Para o taxista Luiz Eduardo Amador, que diariamente circula pelas ruas de Jacarepaguá, a presença de mais guardas é mesmo necessária:

— O trânsito está cada vez pior. No Largo do Pechincha, por exemplo, está caótico.

O secretário Amendola cita outras demandas de ordenamento público na região:

— Há muitos ambulantes ocupando ilegalmente as calçadas. A Freguesia, principalmente, precisa de ordenamento. Outra questão é a população de rua, à qual precisamos dar apoio.

Mas o foco principal é mesmo a segurança, diz ele, que destaca a mudança de perfil da Guarda Municipal na nova gestão da prefeitura. Uma das prioridades é a integração com a Polícia Militar. Entre outras medidas, policiais e guardas passarão a usar a mesma frequência de rádio, facilitando a comunicação. Para o comandante do 18º BPM, Rogério Figueiredo, a medida é essencial:

— Nós já trocamos muitas informações diariamente, o que auxilia no planejamento e na orientação de efetivo. (Agora) os agentes da Guarda Municipal podem se concentrar mais em delitos menores, enquanto a polícia faz o patrulhamento ostensivo e se empenha em missões específicas.

Devido a greve, números de crimes são imprecisos

Segundo os dados mais recentes do Instituto de Segurança Pública (ISP), de janeiro a março deste ano, na área do 18º BPM, foram registrados 1.037 roubos e 891 furtos, contra 741 e 1.201, respectivamente, no mesmo período do ano passado. Mas o que chama mais a atenção é a variação em 2017. O número de roubos, que foi de 194 em janeiro e 111 em fevereiro, pulou para 732 em março. Em relação aos furtos, os totais foram de 182, 73 e 636. Segundo o comandante Figueiredo, porém, os números estão distorcidos pela greve da Polícia Civil, encerrada em abril:

— Ainda estou recebendo registros de janeiro, por exemplo. Por causa da greve, muitos dados foram postergados e concentrados em março. Acabam não retratando fielmente a realidade. E esses números podem diminuir, porque entramos com vários recursos contestando a localização das ocorrências. É melhor observar o acumulado do ano até aqui.

Os índices de alguns crimes saltaram em março, entre eles o de roubo a transeuntes, com 236 registros; e o de roubos de celular, com 72. Segundo Jorge da Costa Pinto, ruas como Araguaia, Estrada do Bananal, Rubens Silva e Geminiano Góis, onde houve aumento populacional recente, devido à ocupação de novos condomínios, tornaram-se alvos de criminosos, que se aproveitam inclusive da falta de iluminação para praticar roubos. Outro foco de assaltos, diz, são as ruas próximas à Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá.

— A serra se tornou uma rota de fuga — afirma.

O comandante Figueiredo confirma a recorrência recente de roubos próximos à serra, mas diz que o problema já foi amenizado:

— Analisamos os roubos naquela região e vimos que muitos criminosos vinham das comunidades do Lins e Camarista Méier. Refizemos o planejamento, e hoje são frequentes as operações na serra. Reposicionamos inclusive as viaturas.

O saxofonista Patrick Calazans, que costuma tocar em cruzamentos das principais vias de Jacarepaguá, foi assaltado recentemente. No início do ano, ele teve o celular roubado.

— A minha rua, Alcides Lima (no Anil), é um ponto clássico de roubos. Eu fui assaltado numa rua próxima, e já testemunhei outros casos. Sempre estou com o meu sax, o que me preocupa, mas não posso deixar de andar na rua — diz o músico.

Na Estrada dos Três Rios, comerciantes dizem que a presença de seguranças particulares é quase obrigatória para evitar furtos, crime que se tornou mais frequente. Um funcionário da Drogaria Venancio diz que precisou mudar a posição dos perfumes, um dos alvos preferidos dos criminosos:

— Na maioria das vezes, são menores de idade que roubam e saem correndo. Os rostos deles já são conhecidos.

Estacionamento ilegal é um dos focos; na imagem, ponto em frente à padaria Kúfura – fotos de fabio rossi
Outra novidade estratégica é a possível transferência da Praça Seca para a área patrulhada pelo 18º BPM. Há anos, o bairro é atendido pelo 9º BPM (Rocha Miranda), que atua em diversos bairros da Zona Norte. Este é um pleito antigo de moradores e comerciantes locais, que sofrem com o aumento recente da violência. Enquanto o 9º BPM precisa cobrir muitos bairros, o 18º BPM trabalha numa área um pouco menor. Segundo o comandante Figueiredo, essa mudança está sendo analisada pela Secretaria de Segurança.

A ideia não é unanimidade entre moradores de Jacarepaguá, que pedem aumento no efetivo do batalhão para suportar a nova demanda. Uma proposta, também já ventilada, é a implantação da Operação Segurança Presente no local, mas faltam recursos. Paulo Amendola salienta que esse projeto não pode ser encarado como a solução em todos os casos.

— O Segurança Presente virou moda. Algumas pessoas estão entendendo que esse tipo de projeto pode ser replicado em todos os lugares, e ele, na verdade, não pertence à prefeitura, já que a Fecomércio é que o banca — diz.

A Amaf tem visão parecida. Para Jorge da Costa Pinto, há outras medidas que poderiam ser mais benéficas:

— Terceirizar a segurança não é a solução. Precisamos lutar por uma remuneração mais justa dos profissionais, por investimento em recursos materiais, pela celeridade de processos judiciais e pelo combate à impunidade. A associação também acredita que violência não é um problema apenas de segurança, mas social.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Fabio Rossi / Agência O Globo