Nos 13 anos em que atuou pelo América, onde foi capitão, o zagueiro Alex Kamianecky acumulou números capazes de provocar assombro. Foi um dos últimos a conquistar o prêmio Belfort Duarte, destinado a jogadores de futebol que ficassem dez anos sem receber cartão vermelho, feito quase impossível no futebol físico de hoje. Foi lembrado por João Saldanha, que o relacionou entre os 40 atletas da lista preliminar da Copa do Mundo do México, em 1970, e seus pés estão imortalizados na calçada da fama do Maracanã. Essas e outras histórias de sua trajetória de 673 jogos com a camisa do Diabo estão registradas na biografia “Alex Coração Americano: o campeão do jogo limpo”, que será lançada neste sábado, às 13h, na Livraria Folha Seca.
A publicação é uma homenagem do jornalista Sílvio Köhler, torcedor do clube, a um de seus maiores ídolos. Além da ascendência germânica e da paixão pelo América, o autor destaca que a dupla partilha do respeito aos valores do esporte.
— Alex foi exemplo para uma geração de atletas e torcedores, pela qualidade técnica e pelo exemplo de liderança e honra à camisa do time. Tudo com um cuidado imenso: nunca se machucou ou lesionou um colega. É, sem dúvida, a maior referência para qualquer torcedor americano — afirma.
Apesar da idolatria alcançada no clube, onde assinou contratos em branco, como prova de amor, e de fazer questão de incluir em seus contratos com outras equipes uma cláusula que o impedia de enfrentar o clube do coração, a passagem de Alex pelo América foi pobre em termos de títulos. O primeiro é de 1973: a Taça Tap, ao vencer Benfica, de Eusébio, em Angola. O outro viria no ano seguinte: a Taça Guanabara de 1974, garantida após vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense, na última rodada.
Aos 71 anos, Alex vive em Canoas (RS), região metropolitana de Porto Alegre, onde morava antes de despontar para o futebol, no Aimoré de São Leopoldo. Mesmo de longe, continua atento à realidade do clube e mostra gratidão pelo carinho da torcida.
— Sempre fui muito bem tratado pela torcida e agradeço esse reconhecimento que ela faz. Vivi momentos importantes no clube, ao qual procurei me dedicar ao máximo, mas tenho certeza de que a torcida faz muito mais por mim do que eu fiz pelo América — afirma.
Maior artilheiro da história do América, Edu Coimbra, ex-treinador da seleção brasileira, enaltece a trajetória do zagueiro, a quem considera um irmão.
— Construímos uma amizade muito forte, que envolve toda a minha família, e esse é o ponto mais importante para mim. Falar sobre sua capacidade como jogador é chover no molhado: um grande conhecedor da posição, jogava de maneira segura. Não era um jogador doce e terno, mas foi sempre muito leal — afirma.
SERVIÇO:
Sábado (dia 13), às 13h, na Livraria Folha Seca (Rua do Ouvidor 37, Centro).
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Arquivo/22-09-1974 / Agência O Globo