Mostra resgata história da relação entre cariocas e a praia

A história da relação dos cariocas com a praia será resgatada na exposição “Quando o mar virou Rio”, que entrará em cartaz no próximo dia 24 e vai até 28 de maio, no Museu Histórico Nacional. Ao todo, serão 130 obras, entre gravuras, fotografias, instalações e pinturas de 25 artistas, que vão mostrar desde quando os médicos começaram a receitar banhos de mar para curar doenças de pele ou respiratórias, até os dias atuais, incluindo a moda, os esportes e o ideal de carioquice que ganhou fama no mundo inteiro.

Na mostra, há duas fotografias raras da americana Genevieve Naylor (1915-1989), que foi contratada pelo governo de Franklin Roosevelt nos anos 1940 para criar uma imagem de Brasil bem aceita nos Estados Unidos. Ela se encantou pela cultura brasileira e voltou para casa com mais de 1.300 fotos incríveis, retratando o cotidiano da Praia de Copacabana, por exemplo, que vivia o seu auge. As imagens foram cedidas pelo filho da fotógrafa.

A mostra também conta com obras de Rogério Reis, que foi convidado a participar com os ensaios “Surfista de trem” e “Ninguém é de ninguém”. Bruno Veiga terá um painel inédito com os seus recortes aéreos das Pedras Portuguesas dos calçadões. E quatro fotos dos ensaios que Júlio Bittencourt fez do Piscinão de Ramos nos verões de 2008 a 2010 também estarão na parede do Museu Histórico Nacional.

Já os artistas Gisela Motta e Leandro Lima deram vida à fotografia em preto e branco de uma maloca yanomâmi incendiada na Amazônia, feita por Claudia Andujar em 1976.

A obra Paisagem Impressa, do brasileiro radicado na Suécia Laércio Redondo, com gravuras do francês Jean Baptiste Debret (1768-1848) sobre o Rio de Janeiro do seu tempo, é outro grande destaque.

A narrativa começa a partir do batismo da cidade, que é abraçada pelo mar, mas recebeu nome de Rio de Janeiro. “Quando o mar virou Rio” conta muito bem essa história, com o auxílio de artistas de diferentes épocas e técnicas, associados a conteúdos multimídias, objetos e imagens de acervo que foram encontrados em pesquisas iconográfica e histórica, feitas nos últimos três anos.

— O mar, em sua imensidão, sempre estimulou a imaginação humana e trouxe o medo do desconhecido, gerando uma infinidade de lendas que afastavam o homem do oceano. Foi apenas na Idade Moderna que o mar deixou de ser concebido como um caótico berço de mistérios incompreensíveis. A força de um mito está em seu potencial de parecer que sempre existiu. O banho de mar e a cultura de praia estão tão associados ao Rio de Janeiro que nem parecem ser hábitos recentes, com cerca de 100 anos — disse Isabel Seixas, umas das curadoras da mostra.

Letícia Stallone, outra curadora, afirma que a trajetória da cidade está tão entrelaçada ao mar que a sua própria identidade está vinculada à imensidão da água salgada, ao sol, à areia e tudo que pertence a esse ambiente.

— Tudo isso num mesmo gingado que a gente que se mete nessa geografia acaba adquirindo — acescentou.

Diogo Rezende, outro curador, completou dizendo que:

— A curadoria gosta de pensar que a exposição é uma ode ao movimento da cidade, que começa com a vinda dos primeiros índios que buscavam a terra sem males, passa pelos navegantes portugueses e é porto de partida e chegada de produtos, pessoas e influências de além mar, até quando o Rio se volta literalmente para a praia, desaguando numa paixão do carioca por ocupar a orla de diferentes maneiras.

A exposição “Quando o mar virou Rio” poderá ser vista de terça a sexta-feira, das 10h às 17h30. O Museu Histórico Nacional fica na Praça Marechal Âncora sem número, no Centro do Rio. A entrada custa R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia entrada para estudantes e maiores de 65 anos).

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Augusto Malta