Na última semana, durante um temporal no Rio, o Centro de Operações da prefeitura (divulgou a seguinte informação: em uma hora foram registrados 120 raios no município. No dia seguinte, durante novo temporal, mais uma vez o número impressionou: foram mais de 100. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a previsão é que neste verão a incidência de descargas elétricas tenha um aumento de 10% em relação ao último ano na cidade.
Segundo o Inpe, só em janeiro, na cidade do Rio, foram registrados 4.700 raios, número quase 8 vezes maior que o mesmo período em 2016, quando caíram 620. Em todo o estado foram 204.770 em janeiro deste ano, contra 31.700 em 2016.
— As águas dos oceanos Atlântico e Pacífico estão com temperaturas um pouco acima da média, o que ajuda a prever um leve aumento na incidência de raios — explica Osmar Pinto Junior, coordenador e pesquisador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Inpe, que lembra ainda que não estamos sob efeitos do El Niño ou La Niña, que costumam provocar o aumento das descargas.
A Região Metropolitana do Rio de Janeiro pode ser atingida por descargas elétricas ainda maiores do que as desta quarta-feira, quando 14 mil raios atingiram a área entre 16h e 19h25m, segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Responsável por um estudo que espera prever com meses de antecedência a incidência de raios no país, Pinto Júnior explica que a geografia da cidade do Rio de Janeiro também ajuda no aumento do fenômeno:
— O Rio é tem uma situação específica, justamente pela geografia muito acidentada, que favorece a formação de raios. Ela fica na beira do mar, o que tende a minimizar as tempestades, mas tem as montanhas, que concentra mais as chuvas. Então existe um efeito que tende ao aumento de um lado, e na mesma região um cenário que tende a diminuir. É uma cidade muito particular.
De fato, de acordo com os número do Inpe, nos meses da primavera em 2016 (outubro, novembro e dezembro), enquanto em todo o país a incidência de descarga elétrica diminuiu em comparação com 2015, no Rio esse número aumentou: foram 2.760 em 2016, contra 1.430 em 2015. No estado inteiro foram 171.390 raios em 2016, enquanto em 2015 foram 145.610.
PREVISÃO DE RAIOS
No fim de fevereiro, o Inpe divulgou um levantamento feito pelo ELAT sobre a incidência de raios em todo o país durante a primaveira entre 2011 e 2016. Segundo o pesquisador, os dados revelam a influência dos fenômenos El Niño e La Niña no aumento das descargas elétricas:
— É o primeiro levantamento que nós fizemos, e mostra claramente a influência desses fenômenos. Neste momento, por exemplo, temos 50% de chance de sofrer os efeitos do El Niño, mas ainda não sabemos quantificar a intensidade dele. Caso a gente perceba em abril que ele será forte, já podemos antecipar que no Rio, durante a primavera, terá um aumento da incidência de raios.
Atualmente, no país, é possível fazer a previsão da incidência de raios com pouco tempo de antecedência. Um estudo realizado pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Inpe, no entanto, espera aumentar em pelo menos seis meses essa janela de previsão.
— Os modelos de previsão sazonais são um pouco limitados em relação aos raios. Hoje no Inpe temos previsão com algumas horas de antecedência, mas a partir de 24 adiante vamos. Acredito que entre cinco e dez anos a gente tenha uma previsão sazonal de raios mais precisa — explica Osmar Pinto Junior.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Marcelo Carnaval – 26/02/2013 / Agência O Globo