Cariocas começam a procurar vacina contra a febre amarela

Desde a madrugada desta segunda-feira, cariocas começaram a chegar aos postos de saúde do município do Rio para tomar a dose da vacina contra a febre amarela. A Secretaria municipal de Saúde anunciou que as unidades vão receber 40 mil doses — um estoque dez vezes maior do que no mês passado. No posto do Catete, cerca de 30 pessoas aguardavam na fila no por volta das 9h. A imunização começou às 8h.

Com viagem marcada para o município de Cantagalo para o período da Páscoa, a administradora Fernanda Certo, de 35 anos, foi com o filho, de 4 anos, na unidade na manhã desta segunda-feira:

– Chegamos às 7h e conseguimos tomar a vacina às 8h40. Tinha um número grande de pessoas, mas acho que as pessoas estão procurando a vacina porque saiu no jornal. Eu mesmo vi que estavam vacinando toda a população no jornal.

Já a aposentada Sueli Araújo, de 59 anos, esperou aproximadamente 30 minutos pela vacina:

– Vou para Barra do Piraí na sexta-feira. Nunca havia tomado essa vacina, mas agora é importante porque a gente está vendo novos casos. Vou fazer 60 anos em abril. Dei sorte que ainda posso tomar sem precisar ir ao médico – brinca a aposentada.

Creusa Mora, de 54 anos, viajará para Minas Gerais no dia 24. A dona de casa conta que, mesmo se não tivesse a viagem marcada, iria ao posto buscar a prevenção:

– Eu tenho uma viagem programada para Minas, onde tem surto. Mas eu tomaria a vacina mesmo sem a viagem depois que vi a indicação na televisão para a população do Rio também se vacinar. Acho importante a prevenção. É melhor que correr risco.

No posto da Tijuca, na Zona Norte, quatro pessoas da mesma família já aguardavam em frente ao posto de saúde desde a madrugada. Elas têm uma viagem programada para Minas Gerais — um dos estados mais afetados — e não quiseram correr o risco.

— Chegamos por volta das 3h30m. Nós vamos para Barbacena, então vamos nos prevenir. Temos um certo receio porque o estado de Minas Gerais é um dos que registraram os casos — disse o analista contábil Marcos Baeta, de 29 anos.

De acordo com Marcos, que foi ao local com a mãe, o pai e uma tia, eles já tentaram tomar a vacina antes do carnaval. Mas afirmaram que, apesar de terem chegado às 6h, na ocasião, não conseguiram tomar a vacina.

— Na outra vez, chegamos aqui por volta das 6h. Havia cerca de 60 pessoas na fila, mas distribuíram apenas 20 senhas. Nós não conseguimos. Desta vez, viemos mais cedo para garantir — completou Marcos, que mora com a família na Tijuca.

Por volta das 6h30m, a movimentação era tranquila no posto de saúde de Copacabana, na Zona Sul do Rio. No local, apenas um homem aguardava para tomar a vacina. Não havia a distribuição de senha no início desta segunda-feira.

Já no Centro Especializado de Vacinação Doutor Álvaro, na Rua Evaristo da Veiga, no Centro, o movimento é pequeno na manhã desta segunda-feira. Não há fila. Por volta das 8h40, quando a reportagem esteve no local, não havia limite de atendimentos (senhas) no posto.

No Rio, a Secretaria municipal de Saúde iniciará esta semana a capacitação de profissionais das 233 unidades, entre clínicas de família e centros de saúde que participarão do trabalho. A grande preocupação das autoridades é evitar correria aos postos.

Durante a campanha que começará em 15 dias, a expectativa é que a capital receba até 1,5 milhão de doses.

O Ministério da Saúde, porém, assegura que toda a demanda será atendida. No bimestre de fevereiro e março, a Bio-Manguinhos, responsável pela produção do imunizante, entregará 20 milhões de vacinas ao governo federal. As três linhas usadas por Bio-Manguinhos para a produção de vacina para febre amarela já operam em capacidade máxima. Segundo o governo federal, a unidade poderia disponibilizar outra planta para reforçar a fabricação.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Daniela Dariano / Agência O Globo