– O livro “A casa dos budas ditosos”, escrito por João Ubaldo Ribeiro e publicado em 1999, ganhou vida nos palcos dos teatros brasileiros em 2003 com adaptação feita por Domingos de Oliveira e atuação de Fernanda Torres. Depois de 13 anos, o espetáculo aporta em Niterói pela primeira vez no Teatro Municipal para uma curta temporada, de quinta-feira que vem ao dia 27.
A atriz dá vida a personagem que conta suas experiências sexuais, criada por João Ubaldo – Divulgação
Fernanda interpreta uma libertina baiana sexagenária que detalha as incontáveis experiências sexuais que teve ao longo de sua vida. A atriz elogia a adaptação feita por Domingos de Oliveira, que, diz ela, ressaltou o caráter romântico da obra em vez de tentar chocar o espectador e polemizar.
— Domingos optou por trabalhar com a delicadeza e toda a potência do texto de Ubaldo. Acredito que é este o motivo de a peça fazer sucesso há tanto tempo — avalia a atriz.
Sobre a personagem, Fernanda diz que ela é completa e carrega toda a compreensão sexual dos baianos.
— Quando você chega à Bahia, logo percebe que os baianos são pessoas livres, felizes e sedutoras. A personagem é assim — explica a atriz, que destaca outros predicados para a sua figura tão voluptuosa. — Ela é impressionante. Quem assiste à peça se sente desafiado pela personagem porque ela é tão inteira que é impossível não se sentir encantado. Ela é cativante e tem o mesmo dom que o Ubaldo tinha, o de hipnotizar as pessoas ao falar. Ela tem os traços de seu criador.
Fernanda Torres tece ainda mais elogios a João Ubaldo e Domingos de Oliveira, assim como ao texto que originou a peça. Há 13 anos interpretando a mesma personagem, a atriz não se cansa:
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— Esse texto é como uma partitura de música. E toda vez que eu passo muito tempo sem fazê-lo, quando vou interpretá-lo, fico incrédula. Continuo me surpreendendo com esse material. Trabalho há muito tempo com a peça, mas sempre em doses homeopáticas. Se continuar assim, dá para fazer a personagem por pelo menos mais dez anos.
Mesmo após tantas temporadas na estrada, Fernanda diz que ainda não deu tempo de ir com a produção a todos lugares que gostaria.
— A peça ainda é inédita para muita gente, não consigo sentir que ela se esgotou. É a primeira vez que venho a Niterói; a Brasília, fui uma única vez; Belo Horizonte ainda não recebeu o espetáculo. Ainda dá para fazer mais algumas temporadas — aposta Fernanda, que já teve um pé em Niterói. — Eu adoro a cidade. Já tive uma casa em Piratininga e costumo ir à Fortaleza de Santa Cruz. Gosto demais do Teatro Municipal e espero que a nossa peça seja um sucesso de público. Niterói é uma cidade que cria pessoas cosmopolitas e que exportou muita gente livre, como a Sônia Braga. E a peça fala justamente disso, liberdade.
Fonte: O GLobo
Foto: Divulgação
Postado por: Raul Motta Junior