A falta de cuidado com viadutos, túneis e pontes da cidade é reflexo do baixo investimento da prefeitura. De acordo com dados da CPI na Câmara dos Vereadores que analisa os gastos com a conservação dessas construções, o município só prevê, este ano, desembolsar R$ 653 mil com reparos de equipamentos públicos e, até agora, só gastou uma parte, R$ 439 mil, menor do que todo o investimento feito na mesma rubrica dez anos atrás. Com tão pouco dinheiro para manter cerca de mil estruturas em todo o Rio, cada uma delas tem disponível apenas R$ 653 anuais para reparos.
Nas ruas, é possível constatar o resultado dessa conta que não fecha. Na quarta-feira, o Tribunal de Contas do Município (TCM) apontou quatro viadutos e três passarelas da cidade que correm risco de desabamento, de acordo com vistorias feitas em 2018. Nesta quinta-feira, repórteres do GLOBO percorreram os locais mencionados pelo órgão e verificaram que, dos sete equipamentos apontados pelo tribunal, quatro deles ainda estão em situação precária. A prefeitura havia argumentado que o relatório do tribunal estava “defasado”.
Com interdição recomendada pelo TCM, a Ponte Velha da Joatinga, na Barra da Tijuca, precisa de cuidados urgentes. O diagnóstico é do engenheiro civil e perito judicial Francisco Mourão que, com uma câmera de termovisão, acompanhou o jornal. O equipamento permite checar se, dentro das estruturas analisadas, há umidade. Ele explica que as ferragens expostas da Ponte Velha da Joatinga favorecem a entrada de oxigênio e vapor de água, o que gera corrosão. De barco, foi possível chegar bem perto dos estragos na parte debaixo da ponte, sustentada por cinco vigas. A preocupação de um ano atrás do TCM ainda é real.
— O estágio é de corrosão avançada. Pequenas fissuras são normais, mas a falta de manutenção faz com que elas aumentem e cheguem a este ponto. Há um risco efetivo de queda das placas de concreto. É um perigo para quem passa aqui de barco ou de jet ski. Os danos são imensuráveis. Tem que ser feito uma programação para se retirar todo aquele concreto que faz o preenchimento e fazer a limpeza do ferro atingido pela corrosão — diz Mourão, que trabalha com engenharia de manutenção há mais de 20 anos.
Solução “emergencial”
Também na lista do TCM, o Viaduto Engenheiro Oscar Brito, popularmente conhecido como Viaduto dos Cabritos, em Campo Grande, apresenta-se em estado deplorável. A estrutura interna do viaduto, que pode ser vista da Avenida Brasil, tem pelo menos 14 pontos sem reboco, o que significa que partes da construção caíram sobre a pista. Há crateras no piso asfáltico bem abaixo do viaduto, uma delas de aproximadamente 1,5 metro de comprimento por 1 metro de largura. Rachaduras se espalham pela pista de rolamento. E os corrimãos estão enferrujados e sem vários trechos de guarda-corpos.
No viaduto Mestre Cartola, próximo à quadra da Mangueira, a falta de manutenção preventiva é evidente. Em diversos pontos, as ferragens das estruturas estão aparentes e corroídas.
— Com a armação exposta, penetra umidade e a estrutura deteriora — explica o engenheiro.
A passarela em frente à estação de metrô de Del Castilho, embora tenha recebido reformas, apresenta fissuras em sua estrutura. Os buracos nos degraus receberam soldas metálicas que já estão enferrujadas. O piso antiderrapante está gasto e quem passa na região reclama que, quando chove, o chão fica escorregadio.
As passarelas da Rua Rodrigues Campelo, em Campo Grande, e a existente em frente ao Hospital Municipal Salgado Filho passaram por reformas. Na passarela em frente à unidade de saúde, foi feita uma intervenção emergencial para evitar acidentes. Dezessete peças de aço e duas de madeira foram instaladas para sustentá-la porque dois pilares estão totalmente comprometidos. E o viaduto de acesso à Linha Vermelha, na Pavuna, está em bom estado.
— A vida do cidadão é colocada em risco por negligência — diz a vereadora Teresa Bergher (PSDB).
Para o vereador Reimont (PT), que preside a CPI, é preciso cobrar:
—A prefeitura tem que dar uma resposta.
A Secretaria municipal Infraestrutura, Habitação e Conservação voltou a afirmar, nesta quinta-feira, que o documento do TCM está defasado e que, dentre as obras citadas, a maioria já passou por intervenções finalizadas ou em conclusão. Também assegurou que não há risco estrutural.
Fonte: Globo
Postado por: Raul Motta Junior