Marco da revitalização da Zona Portuária , o Boulevard Olímpico não seria medalhista se participasse hoje de uma competição. Tomado pelo lixo , com diversas papeleiras quebradas , o local se transformou em uma corrida de obstáculos para os visitantes . Para se chegar aos dois museus da área, que atraem milhares de visitantes, é preciso enfrentar calçadas esburacadas e pisos desnivelados . Na segunda-feira, um bueiro que está sem tampa há dois meses fez sua primeira vítima : um ajudante de pedreiro foi tragado pelo buraco na Avenida Rodrigues Alves.
Fábio Pereira de Souza ficou 20 minutos dentro do bueiro, com três metros de profundidade, gritando por socorro. Só foi resgatado, com ferimentos leves, depois que o ciclista Thiago Roza, que pedala no local diariamente, ouviu seus apelos e chamou os bombeiros. Nesta terça-feira, Thiago relembrou o acidente, sem esconder o espanto com a falta de manutenção da área:
— Embora eu soubesse da existência daquele bueiro sem tampa, não acreditei que o pedido de ajuda vinha dali. Parei a bicicleta e olhei ao redor, mas não vi nada e demorei a perceber que tinha alguém no buraco.
Nesta terça, a prefeitura isolou a área, mas não tampou o bueiro. Perto do local do acidente, ontem à tarde, um homem que trabalha alugando patinetes, skates e bicicletas orientava uma cliente sobre os riscos nas imediações. Uma cratera em frente ao Museu do Amanhã, na Praça Mauá, havia feito, segundo ele, uma vítima no dia anterior.
— Isso aqui está muito perigoso — disse, apontando para um buraco no chão. — E não é só aqui. Por todo trecho da Orla Conde há vários buracos, piso quebrado ou solto. Ontem, um rapaz caiu aqui quando passava de patinete — relatou.
Deficientes e portadores de necessidades especiais também reclamam. O cadeirante Ezequiel José dos Santos, de 54 anos, queixou-se da trepidação.
— Esses buracos danificam a cadeira. A manutenção é cara, ou seja, ficamos no prejuízo — reclamou.
Para Adriana Gilio, que também passeava pelo local, o que incomodou foi a pequena quantidade de lixeiras.
— As papeleiras estavam lotadas e são distantes umas das outras. Tive que carregar o lixo na mão até encontrar um lugar em que pudesse descartá-lo — afirmou, mostrando o lixo lixo espalhado pelo chão.
Nota entre 5 e 6
O presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp), Antônio Carlos Mendes Barbosa, reconheceu os problemas e, numa autocrítica, avaliou a manutenção do espaço com nota “entre 5 e 6”.
A Cdurp administra a área, cuja conservação era feita pela Concessionária Porto Novo, com recursos do Fundo Imobiliário da Caixa Econômica Federal. Depois que a Caixa, sem verba, parou de fazer os repasses, em 2016, o consórcio ficou responsável apenas pela operação e manutenção do Túnel Marcello Alencar. Todo o Boulevard Olímpico ficou a cargo da prefeitura.
— Quando a Parceria Público-Privada do Porto Maravilha foi firmada, a conservação da região portuária foi excluída do orçamento da prefeitura. Hoje, eu conto com a colaboração da Comlurb, Rio Luz e Secretaria de Conservação. Mas, às vezes, a solução de um problema pode levar uns dias. Há fatos positivos, porém. Não tivemos registros de incidentes por causa das chuvas —avaliou Barbosa.
Segundo ele, a retomada do pagamento da Caixa para o consórcio está longe de acontecer.
— Mês passado, fomos informados de que a situação de insolvência permanece por pelo menos mais um ano — disse o presidente da Cdurp.
Nesta terça-feira, a companhia lamentou o incidente com o bueiro e afirmou que “a área é alvo de sucessivos furtos de tampão para comercialização no mercado ilegal de peças de ferro fundido”. A Secretaria de Conservação disse que vai colocar uma chapa metálica no buraco. A Comlurb garantiu que vai avaliar a necessidade de instalação de novas papeleiras.
Em nota, a Caixa não dá prazos para a retomada dos repasses. A instituição afirma apenas que vem dialogando com diversos setores “com o objetivo de construir termos para seguimento da prestação dos serviços e reestruturação da operação, visando o pleno desenvolvimento da região do Porto de forma sustentável”. A nota afirma ainda que compete à Cdurp a gestão de serviços de interesse local e serviços públicos de competência municipal a serem prestados nos limites do porto.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior