Bandeira de campanha do governador Wilson Witzel , o programa Segurança Presente tem passado por um longo processo de expansão do tipo “cobertor curto’’ . Para criar novas unidades e expandir a área de atuação, a gestão estadual optou por diminuir efetivos que já existiam. Nesta terça-feira, o governo anunciou que irá para mais nove áreas no segundo semestre , incluindo a Baixada Fluminense. Na capital o caminho foi invertido: ao implementar agentes na Tijuca, no Leblon e em Ipanema, os bairros que já tinham a operação como Aterro do Flamengo, Lagoa e Méier tiveram o número de policiais militares reduzidos à metade . O jogo de tabuleiro feito para preencher mais espaços, sem chamar novos agentes, vem sendo feito desde o início do ano.
Documentos obtidos com exclusividade pelo GLOBO revelam que o número de PMs fixos do programa despencou após as últimas expansões. Em novembro de 2017 o Lagoa Presente contava com 24 PMs. Em maio deste ano, caiu para 13. No Méier, o número foi de 24 para 8 no mesmo período. No Aterro Presente, o efetivo despencou para menos da metade: 11.
— No rumo que as coisas têm tomado, em pouco tempo seremos mais um Patrulha Presente do que um programa — debochou um agente do Lagoa Presente.
Hoje o governo estadual banca sozinho toda a operação. Até o ano passado a Fecomércio patrocinava o projeto, dando suporte econômico. A diferença já é sentida entre os moradores que, mesmo apoiando o projeto, criticam os problemas que surgiram nos últimos meses:
— A expansão do projeto dicotomiza os projetos existentes. O correto seria aumentar o efetivo dos batalhões primeiro — afirma a presidente da Associação de moradores do Flamengo, Isabel Franklin.
A presidente da Associação de Moradores e Amigos do Leblon, Evelyn Rosenzweig, também criticou a forma que o programa vem sendo conduzido. Segundo ela, o número de agentes disponibilizados para o bairro já iniciou reduzido.
— A gente já começou mal. Estamos com 55, sendo que o ideal seriam 124 pelo planejamento inicial. O Alto Leblon tinha um policiamento muito maior. Não é Segurança Presente mais. O treinamento também não vem sendo feito da maneira correta — criticou Evelyn.
Procurada pelo GLOBO, a Secretaria de Governo não quis comentar os remanejamentos. Também não informou o número de agentes atualmente designados para patrulhar as ruas em cada unidade da operação.
Antes da expansão no inicio do ano, o Segurança Presente tinha cerca de mil agentes diariamente nas ruas. O novo secretário de Governo, Cleiton Rodrigues, confirmou que o número se mantém o mesmo — agora com novas três unidades (Leblon, Ipanema e Tijuca).
— Hoje temos por volta de mil homens. Dobraremos esse número, chegando a dois mil — afirmou ao comentar as novas expansões do segundo semestre.
Em Copacabana, o Rio+Seguro, financiado pela prefeitura, contabiliza o retorno dos problemas segundo os moradores a partir das últimas expansões e mudanças no comando. Por lá, Guardas Municipais atuam em conjunto a agentes da Polícia Militar, disponíveis nos dias de folga.
— Nós temos sofrido muito também. No início voltamos a poder andar tranquilos no bairro. Agora os moradores do Posto 5 e 6 estão montando um abaixo-assinado para pedir reforço ao governador — comentou a representante da Associação de Moradores e Amigos de Copacabana, Flávia Homsy.
Em fevereiro, a assessoria confirmou que o Centro Presente teve duas viaturas remanejadas e afirmou que “esse procedimento foi feito com base em análise estratégica”. Fontes do gabinete da Secretaria de Governo afirmam que ao longo dos últimos meses equipamentos como rádios, uniformes e mais viaturas foram sendo divididos mais entre as novas unidades.
À época, em entrevista exclusiva a O Globo, o agora ex-secretário Gutemberg Fonseca, exonerado no último dia 17, por “não corresponder às expectativas” de Witzel, afirmou que o programa iniciaria um largo processo de expansão. A criação de novas áreas, no entanto, ficou congelada ao longo dos primeiros sete meses de governo. Promessas de um segundo módulo na Tijuca e presença nos estádios de futebol ficaram apenas no papel — e nas redes sociais do governador, que replicou a promessa aos eleitores.
Disputa de poder
Na última sexta-feira, o coronel Miguel Francisco Ramos Júnior foi designado como novo coordenador do programa Segurança Presente. O posto não existia anteriormente. Quem tinha cargo semelhante era o superintendente das operações da secretaria, o major Carlos Falconi, exonerado no mesmo dia.
A indicação de Ramos Junior foi feita diretamente pelo secretário da Polícia Militar, Rogério Figueredo. Internamente, os militares argumentam que o programa deveria ser transferido para a pasta, por ser uma questão de segurança pública. Witzel, no entanto, reforçou diante dos jornalistas a importância de que o Segurança Presente continue vinculado à Segov por ser “multidisciplinar”.
— O programa é diferenciado e integra ações de outras secretarias. Envolve ordem pública no trabalho junto aos municípios. Temos a questão de assistência aos moradores de rua também, onde temos muito a melhorar.
Novos pontos no segundo semestre
O Governo do Estado anunciou um cronograma de expansão do programa Segurança Presente para o segundo semestre. O planejamento engloba dez novos locais, incluindo municípios da Baixada Fluminense e bairros das zonas Sul, Norte e Oeste da capital.
O próximo ponto de parada da operação será em Nova Iguaçu, a partir do dia 16 de agosto. A cidade terá, até dezembro, outros dois módulos: Austin (18/10) e Miguel Couto (6/12). O novo secretário responsável pelo programa, Cleiton Rodrigues atuou também na gestão do atual prefeito da cidade, no governo do prefeito Rogério Lisboa. A boa relação facilitou a expansão.
— Serão 83 homens nesse primeiro módulo, entre civis e militares a custo de cerca de R$ 20 milhões ao ano. Estamos confiantes no trabalho — afirma Lisboa.
O custo dessas expansões serão bancadas pela economia feita por deputados estaduais que transferiram cerca de R$ 50 milhões para o governo estadual.
Laranjeiras, Botafogo, Bangu, Barra da Tijuca, Vila Isabel e Grajaú também receberão o programa ao longo do ano. Além deles, Duque de Caxias será o segundo município da Baixada que terá agentes do Segurança Presente nas ruas.
Datas da próxima expansão
16 de agosto – Nova Iguaçu
6 de setembro – Laranjeiras
20 de setembro – Bangu
4 de outubro – Botafogo
18 de outubro – Austin (Nova Iguaçu)
1º de novembro – Duque de Caxias
14 de novembro – Barra da Tijuca
6 de dezembro – Miguel Couto (Nova Iguaçu)
20 de dezembro – Vila Isabel e Grajaú
Hoje o programa já opera nos seguintes locais sendo financiado integralmente pelo Estado: Lapa, Centro, Leblon, Lagoa, Ipanema, Tijuca, Aterro do Flamengo e Méier. Em Niterói, quem banca é a prefeitura.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior