Prisões de envolvidos no assassinato de Marielle Franco são destaque na imprensa internacional

As prisões do sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, de 48 anos, e do ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes , são destaque na imprensa estrangeira.

Lessa, com fama associada a crimes de mando pela eficiência no gatilho e pela frieza na ação , tinha uma mansão de luxo no condomínio Portogalo , em Angra dos Reis, na Costa Verde. Ele atuava em guarnição comandada por mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli .

O jornal americano “New York Times” considerou as prisões um “avanço” nas investigações de um “assassinato político descarado que assombrou os brasileiros por quase um ano”.

O site da emissora britânica “BBC” lembrou que o crime gerou protestos no país e completará um ano nesta quinta-feira. De forma semelhante, o jornal “The Guardian” ressaltou que Marielle criticava “a violência policial contra moradores de favelas” e que sua morte gerou indignação em todo o mundo.

Já o jornal espanhol “El País” disse que a vereadora tornou-se um “símbolo da esquerda brasileira” e considerou as prisões de Lessa e de Queiroz como os “primeiros resultados concretos em um caso cuja investigação foi duramente criticada por organizações de defesa dos direitos humanos”.

A ação policial sobre o caso da vereadora também repercutiu nos jornais franceses “Le Monde” e “Le Figaro”, por meio de material produzido pela agência de notícias “AFP”. As matérias chamam atenção para o engajamento de Marielle na luta contra o racismo, a homofobia e a violência policial.

Outros jornais que também noticiaram as prisões dos envolvidos no assassinato foram o alemão “Spiegel” e o espanhol “La Vanguardia”, ambos frisando que o crime foi planejado ao longo de três meses.

As prisões foram efetuadas pela Delegacia de Homicídios (DH) da Capital e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) na manhã desta terça-feira. Lessa e Queiroz tiveram prisões preventivas decretadas pelo juiz substituto do 4º Tribunal do Júri Gustavo Kalil após denúncia da promotoria.

Segundo a denúncia do Ministério Público (MP) do Rio, Lessa teria atirado nas vítimas, e Elcio era quem dirigia o Cobalt prata usado na emboscada. O segundo acusado foi expulso da corporação.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior