Foi um Dia de Reis com folia pagã que deu a largada, neste domingo, ao carnaval de rua carioca. A abertura não oficial dos festejos tomou o Centro, a Lapa e a Glória com 19 blocos. No fim da tarde, vários deles se reuniram na Praça Quinze, que virou um palco multicolorido para vários ritmos.
Em defesa da liberdade criativa contra a mercantilização da festa, o evento organizado pela Desliga dos Blocos teve como mote o tema “Mais carnaval, menos ódio”. Um dos primeiros cortejos começou pouco antes das 14h, com a concentração do Cordão do Bola Laranja, que desfila pelas ruas de Campo Grande, mas que neste domingo se apresentou na Cinelândia.
ABERTA A TEMPORADA NÃO OFICIAL DO CARNAVAL DE RUA
Folião que chegou cedo à fuzarca, Felipe Amaral contou que não aguentava mais de tanta saudade.
—Espero que, daqui para frente, tenha mais e mais blocos — comentou ele, vestido nas cores da bandeira LGBT+.
Aos poucos, de vários pontos, outros blocos surgiam. O Vem Cá, Minha Flor saiu do Buraco do Lume. O Mulheres Rodadas se reuniu em volta da pira olímpica da Candelária. E antes de o Boi Tolo ser o último a dar as caras, teve gente fantasiada também em frente a lugares como o Tribunal de Justiça e a Assembleia Legislativa, onde normalmente predominam sisudos ternos e tailleurs.
—É importante abrirmos o carnaval reafirmando a necessidade de ocupar espaços públicos com a festa popular livre — dizia a foliã Raquel Poti.
Enquanto pernaltas e purpurinas voltavam à cena, no entanto, polêmicas também foram lembradas. Este ano, a Riotur resolveu diminuir o número de blocos autorizados para 509 (163 a menos que em 2018). Numa medida considerada quase impeditiva pelos organizadores, a prefeitura resolveu exigir até UTIs para liberar sua autorização a grandes blocos.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior