Mais de 500 desfiles estão programados para acontecer no carnaval deste ano, mas colocar estes blocos na rua não será tarefa fácil. Depois que a Riotur divulgou, no último dia 2, as regras para o carnaval de rua, os organizadores da folia dizem que será impossível cumprir todas as exigências. Isso porque a lista inclui a presença de médicos, UTIs e postos de saúde em blocos que atraiam mais de cinco mil pessoas, como informou Marina Caruso em sua coluna no GLOBO.
Segundo Rita Fernandes, presidente da Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua do Rio (Sebastiana), as medidas são “absurdas” e nenhum bloco tem capacidade financeira de arcar com os requisitos da prefeitura.
— Eles aumentaram a burocracia. Voltaram a exigir a documentação com base em número de foliões. Pedem instalação de postos médicos, UTIs, ambulâncias. Não deveria ser de nossa responsabilidade, porque o carnaval de rua não tem fins lucrativos, não cobra ingresso. Isso vai inviabilizar os desfiles dos blocos menores, que não têm condições de arcar com essas despesas — reclamou Rita.
Após incêndio, mais rigor
Nos últimos carnavais, houve uma flexibilização das exigências, com a publicação, em 2016, de um decreto do então governador Luiz Fernando Pezão, que considerava blocos de carnaval manifestações culturais isentas da regularização dos bombeiros. Eles só precisavam do aval da corporação, segundo o texto, caso fizessem desfiles com montagem de palco, arquibancada ou trio elétrico.
Este ano, no entanto, o Corpo de Bombeiros voltou a cobrar a documentação de blocos maiores. Um dos motivos para aumentar o rigor das regras teria sido o incêndio que atingiu o Museu Nacional, em setembro do ano passado.
“A medida não visa inviabilizar ou desestimular a realização dos blocos, e sim promover um carnaval mais seguro e dentro da legalidade, além de garantir o funcionamento da cidade, minimizando os transtornos daqueles que não participam da festa”, informou, por nota, a Riotur.
O órgão também informou que, durante o carnaval, disponibiliza ambulâncias e UTIs móveis na rua. Este ano, serão 190, contra 130 da festa do ano passado. A quantidade de maqueiros também vai ser maior, passando de 150 para 380, segundo a prefeitura. Ao todo, serão montados quatro postos médicos, mesmo número que em 2018. A localização das unidades ainda não foi divulgada.
O Ministério Público do Rio afirmou que “apoia a iniciativa dos órgãos públicos de estabelecerem critérios rígidos para autorização de desfiles de blocos de rua, quando em jogo a segurança da população”. Ainda segundo o MP, a expedição da autorização reproduz exigências de decreto de 2010 e normas técnicas, com base em análise de risco e expertise.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior