Até o fim do ano, a Baía de Guanabara terá monitoramento especial da Marinha. A área, que tem sido usada por criminosos como rota para transportar armas e drogas, foi estabelecida como prioridade para o início do projeto-piloto do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul, que prevê a ampliação da vigilância em toda a área marítima do país, com satélites e radares, para combate a crimes ambientais e de tráfico de drogas.
Segundo a Marinha, o sistema atuará de forma integrada com as forças de segurança. As ações também preveem um controle maior sobre as embarcações que acessam marinas, clubes e colônias de pescadores. O projeto ainda está em fase de desenvolvimento, mas a instalação da rede de sensores e o início da operação devem ocorrer até o final de dezembro. As próximas etapas, informou a Marinha, “serão planejadas de acordo com sua a realidade orçamentária”.
PRISÕES E APREENSÕES
Em pouco mais de um mês, duas grandes ações terminaram em apreensões e prisões na Baía de Guanabara. A mais recente aconteceu na madrugada do último domingo, quando equipes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal localizaram 336 quilos de cocaína dentro de um barco pesqueiro. A embarcação estava atracada nas imediações do Mercado São Pedro, em Niterói. Três pessoas, que se passavam por pescadores, foram presas.
Segundo a PF, a droga estava escondida atrás de uma parede falsa no porão do barco que também estava repleto de gelo para dificultar a localização da cocaína. Os agentes removeram o gelo e encontraram a droga acondicionada em 12 bolsas. Todo o material, de acordo com dados da investigação, seria içado e colocado no interior de um contêiner em um navio com destino à Europa.
De acordo com o delegado Carlos Eduardo Thomé, à frente das investigações, a droga que passa pela Baía de Guanabara nem sempre sai das favelas cariocas.
— O material ilícito tem entrado pelas fronteiras, por vias terrestres. A quadrilha, normalmente, recebe em São Paulo e o transfere para o Rio através de embarcações pesqueiras. Eles (os criminosos) criam fundo falso no porão do barco, onde colocariam os peixes, e cobrem com gelo — explicou, lembrando que, em dezembro, a PF fez outra apreensão de cocaína na Baía.
Os presos foram indiciados pela PF por tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico, cujas penas somadas podem chegar a 35 anos de prisão. Na Europa, a cocaína apreendida é avaliada em US$ 40 mil. Em junho, a Polícia Civil prendeu três criminosos em uma embarcação na Praia Vermelha, na Urca. Eles haviam acabado de recuperar fuzis na mata.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo