O governador Wilson Witzel tem se mantido firme no propósito de assumir a gestão do carnaval do Rio. Um dia depois de anunciar que pretende estender os desfiles do Grupo Especial para três fins de semana, ele decidiu liberar R$ 8,1 milhões para reformar o Sambódromo, espaço que, administrado pela prefeitura, está sem condições de segurança para receber eventos. Sem esconder que já faz campanha para o Palácio do Planalto, Witzel vem buscando aproximação com o mundo do samba no vácuo deixado pelo prefeito Marcelo Crivella , que cortou os repasses para as agremiações e nunca acompanhou o carnaval na Avenida. Este ano, o governador enviou o secretário estadual de Cultura, Ruan Lira, às disputas de samba-enredo nas quadras das escolas. Mas o controle da festa, maior aspiração do ex-juiz, só deve passar para o estado em 2021.
— Eu tenho me empenhado desde o início do carnaval deste ano para resolver os problemas do Sambódromo. Tivemos alguns impasses em relação ao município que estão sendo resolvidos, e continuo com disposição para fazer a obra. A obra vai sair. Já me comprometi com a prefeitura. Acredito que, na semana que vem, eu e o prefeito vamos assinar o documento que vai permitir que essas obras sejam realizadas — afirmou Witzel.
A ajuda do estado foi costurada numa reunião na última terça-feira entre Crivella, o presidente da Riotur, Marcelo Alves, e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputado André Ceciliano (PT), que fez a ponte com Witzel. As obras emergenciais devem ficar prontas até 30 de janeiro. Serão adquiridos novos quadros elétricos e extintores de incêndio, operários farão uma nova sinalização de rotas de fuga. Outras intervenções mais complexas, como a criação de vias de escape para o público, devem ficar para depois da folia.
Com essas obras, a prefeitura pretende obter a autorização do Corpo de Bombeiros para a Sapucaí receber os desfiles. Este ano, o aval só foi concedido dois dias antes do evento. Diante das péssimas condições do Sambódromo, o Ministério Público do Rio chegou a pedir a interdição do espaço pouco antes do carnaval. Desde então, representantes da Riotur, do governo estadual, da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) e do Corpo dos Bombeiros vêm participando de audiências na Justiça, que terá de homologar o projeto de reforma.
— As obras serão aprovadas pela Justiça porque estamos cumprindo tudo que foi exigido. Independentemente disso, a Riotur está fazendo algumas pinturas — disse Marcelo Alves. — Amanhã ( hoje ), tenho um encontro com o secretário estadual da Casa Civil ( André Moura ) para passar os projetos. A gente vai lá apenas apertar a mão.
O acordo acontece um mês após Crivella decidir manter a gestão da Sapucaí, frustrando o desejo de Witzel. Uma lei municipal prevê que a “administração do carnaval carioca é de responsabilidade exclusiva, direta e intransferível da prefeitura”, incluindo a organização dos desfiles. Mas foram as últimas trocas de farpas entre o governador e o prefeito que emperraram a transferência.
Para o cientista político da PUC-Rio Ricardo Ismael, o interesse de Witzel pelo carnaval é uma busca para construir uma imagem junto à população. Segundo ele, a apenas a política de segurança — foco deste governo — pode não ser suficiente para consolidar sua gestão:
— De alguma maneira, Witzel vai mostrando que está querendo fazer sua administração num outro caminho, diferente do de Crivella. Os recursos ( para as obras ) são relativamente baixos. Agradar a esse público é uma estratégia.
Em crise financeira, o estado ainda estuda de onde sairão os recursos. Uma das hipóteses, segundo Witzel, é usar verba da Secretaria de Cultura. Outra possibilidade que está na mesa é investir o dinheiro do orçamento que a Alerj economizou e que voltará para o estado.
— Vamos devolver R$ 400 milhões. Eu vou pedir ao governador que ajude o carnaval com parte desses recursos — disse Ceciliano
Fonte: GLobo
Postado por: Raul Motta Junior