O vice-campeonato conquistado pela Unidos do Viradouro e pela Acadêmicos do Cubango em suas respectivas categorias teve impacto diferente nas duas agremiações. Enquanto no Grupo Especial o segundo lugar teve sabor de vitória para a Viradouro, que acabara de subir à elite do carnaval e volta neste sábado ao Desfile da Campeãs; para a Cubango o sentimento é de frustração, após ter recebido, pela segunda vez consecutiva, os Estandartes de Ouro de Melhor Escola e Melhor Samba da Série A, concedidos pelo jornal O GLOBO .
Empolgado com o resultado de sua escola — que apresentou o enredo “Viraviradouro”, sobre a magia dos livros e das histórias infantis —, o presidente Marcelinho Calil já confirmou a permanência do carnavalesco Paulo Barros para o carnaval do ano que vem. A ideia, diz ele, é não mexer no time que está ganhando:
— Preparamos um desfile digno da história da escola e, apesar de não termos ganhado, o simbolismo desse segundo lugar é muito grande e só nos motiva. Estou muito satisfeito, e como fomos bem-sucedidos, a ideia é mexer o mínimo possível na equipe. O Paulo já está confirmado, é um artista extremamente dedicado ao trabalho e tem uma sinergia grande com a escola.
Outro nome de destaque no time, Mestre Ciça também deve permanecer na vermelho e branco. Tanto ele quanto Marcelinho Calil já demonstraram interesse na continuidade do trabaalho à frente da bateria.
— Semana que vem devo conversar com o Mestre Ciça — disse ontem presidente, ressaltando que ainda falará com todos da equipe. — Ficamos às voltas com os preparativos do Desfile das Campeãs e não deu tempo.
Um dos principais destaques do desfile da Viradouro, o motoqueiro fantasma que estava no último carro da escola já previra, logo após o desfile, o retorno hoje ao Sambódromo, com as campeãs. Piloto de globo da morte, Diego Cigano contou que o desafio de desfilar na agremiação foi o maior enfrentado por ele até hoje. Não foi sua primeira vez numa escola de samba, pois já se exibiu no globo da morte na Gaviões da Fiel, em São Paulo.
— O movimento de subida e descida da rampa é mais difícil do que o globo da morte, mas começamos os ensaios no meio do ano passado e estava muito confiante — explicou.
Surpresa com notas
Levando para a Marquês de Sapucaí o enredo “Igbá Cubango: a alma das coisas e a arte dos milagres”, a dupla de carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora não contesta as notas baixas, mas não compreende algumas punições dos jurados. Bora lembra que o vice-campeonato na Série A é inédito e o melhor resultado da escola até hoje e parabeniza a Estácio de Sá, que levou o campeonato e desfilará ano que vem no Grupo Especial.
— Apesar da sensação de dever cumprido que eu e Gabriel temos, é óbvio que fica aquele gostinho de que poderia ter ido além. Não compreendemos perder um décimo em enredo, que era o ponto forte do nosso trabalho, e precisamos entender melhor a dura punição que sofremos no quesito comissão de frente, com uma nota 9.6. Pela televisão, não percebemos falha. Houve uma questão do sapato escorregadio por conta da chuva, mas nada que abalasse a coreografia — avalia Bora.
A Porto da Pedra conquistou o terceiro lugar da Série A, atrás da Cubango, mas a Acadêmicos do Sossego não teve a mesma desenvoltura das outras escolas da região e ficou em penúltimo lugar, escapando por pouco do rebaixamento.
Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior