Verão tem temperaturas mais altas que as do ano passado; tendência é esquentar

Um sistema de alta pressão criou uma espécie de muro em torno do Rio, que impede o avanço das frentes frias vindas do sul do país. O resultado é que o ar fica seco, há diminuição da nebulosidade e, consequentemente, redução das chuvas. Este é apenas um dos fatores que faz com que o carioca enfrente, até então, um verão bem mais quente que no mesmo período do ano passado. Na última terça-feira, os termômetros marcaram 39,4 graus em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, com sensação térmica de 45 graus, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Nesta quarta-feira, na mesma estação do sistema, houve registro de 38,5 graus.

TEMPERATURAS DO VERÃO DE 2019 ESTÃO
MAIS ALTAS QUE AS DOS ANO PASSADO

Compare o calor nos bairros do Jardim Botânico e Santa Cruz

Temperaturas máximas
2017 a 2018
2018 a 2019
Santa Cruz
Jd. Botânico
38,9
39,1
34,7
40
40
33,2
30
30
30,3
29,1
27,4
26,4
20
20
10
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0
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22
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28
31
3/1
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8
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Fonte: Alerta Rio

O refresco não chega nem de madrugada, quando as temperaturas deveriam diminuir. Segundo o meteorologista Marcelo Seluchi, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), como não há chuvas, um dos principais reguladores da temperatura, as nuvens até chegam a se formar no fim do dia, mas acabam atuando como um tampão, um cobertor, evitando que o ar quente se dissipe.

– As frente frias, que chegam pelo sul, não conseguem avançar pelo sudeste, por conta da alta pressão. Ela atrapalha de várias formas a formação das chuvas: há pouca umidade e isto não deixa o ar subir até as nuvens mais altas. Com isso, não se forma a tempestade, e, faltando a pancada de chuva do fim de tarde, ficamos também sem o mecanismo de resfriamento natural – explica o meteorologista.

Além da alta pressão, a meteorologista Bianca Lobo, do site Climatempo, explica que até a brisa tem sido escassa. A situação deve permanecer até a próxima semana.

– O carioca só sente a brisa quando está à beira da praia. Os ventos que vêm do norte e noroeste, do interior do país, chegam quentes e impedem a entrada da brisa. Quem mora nas zonas Oeste e Norte sofre mais ainda. A brisa marítima não consegue ganhar esta queda de braço. É nestas condições que o Rio tem estas temperaturas em torno de 40 graus – explica Bianca.

Para piorar a situação, o El Niño – fenômeno climático de caráter atmosférico-oceânico, em que ocorre o aquecimento fora do normal das águas superficiais e subsuperficiais do Oceano Pacífico Equatorial – já estaria agindo, segundo a meteorologista do Climatempo, Graziela Gonçalves. Segundo ela, as notícias não são animadoras para quem não gosta das temperaturas altas: há a tendência delas ficarem ainda mais altas.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior