Os primeiros reis do passinho do Rio hoje se sentem muito velhos para dançar. Magro e com físico de atleta (“sou jogador de futebol profissional”), Victor César dos Santos, de 26 anos, diz que não consegue “nem abaixar”:
— Hoje em dia, no baile, só de braços cruzados. Fico acanhado. Já sou velha guarda do passinho. Tô enferrujadão — afirma ele, com uma certa marra e uma dose de timidez, se negando a dançar para o vídeo da reportagem.
Há dez anos, Victor e outros amigos comemoravam os 16 anos de Rodrigo Silva da Costa no quintal da casa do aniversariante, em Pilares. Rodrigo até hoje vive com a avó paterna na mesma casinha antiga típica de subúrbio, protegida por um Jesus Cristo em azulejos, numa rua sem saída perto do trilho do trem. A fachada da residência foi o cenário do churrasco e também do vídeo “Passinho foda”, com mais de 4,5 milhões de visualizações no YouTube. Em baixíssima qualidade, a gravação, de apenas 1m53s, viralizou e fez esta nova forma de dançar o funk bombar, pela primeira vez, para além dos bailes de favela. Em junho deste ano, o passinho conquistou o título de patrimônio cultural do Rio.
Fonte: O Globo
postado por: Raul Motta junior