Desde o ano passado, a Paris Saint-Germain Academy — rede de escolas de futebol do clube francês, onde jogam Neymar, Thiago Silva e Daniel Alves — abriu vagas para times femininos na unidade da Barra. A partir da iniciativa, formaram-se três equipes de meninas: uma de 9 a 10 anos; outra de 11 a 12 e uma terceira de 13 a 14.
Faltam, porém, competições exclusivas para as garotas. Por isso, as jovens promessas do PSG costumam jogar contra times de meninos. Ou se juntam a eles, em times mistos.
— Nessa idade ainda é tranquilo colocar meninas e meninos competindo entre si. Mas, quando chega a puberdade, tudo muda — explica Diego Jatobá, diretor de desenvolvimento do PSG Academy. — Nunca ouvi falar de uma competição apenas para meninas dessa faixa etária. O máximo que conseguimos fazer é marcar amistosos com outros times de garotas.
A última competição da equipe feminina do PSG Barra na categoria sub 13 foi na Copa Rio, em julho, no Recreio. Todos os adversários eram do sexo masculino. E elas venceram.
Jatobá acrescenta que, a partir de 2019, os clubes brasileiros que não tiverem um time feminino em competições nacionais estarão proibidos de disputar a Libertadores e a Sul-Americana. Entretanto, poucos estão de acordo com a nova norma da CBF e da Conmebol.
O quadro parece desanimador, mas não para as jovens jogadoras. Uma das estrelas do time, Lara Dantas, de 13 anos, foi considerada a melhor atleta da PSG Academy Cup, competição sediada em Paris, em abril. Além dela, só mais duas meninas — uma da Índia e outra do Canadá — participaram de jogos mistos.
— No time da Lara também jogou o filho do Ronaldinho Gaúcho. Ela já viajou com o PSG para Portugal, França e Estados Unidos — conta Leyla, a mãe da jovem atleta. — O interesse pela bola começou cedo, aos 5 anos, estimulado pelo irmão mais velho .
O caminho de muitas vitórias da menina não está livre de preconceito. Leyla revela que a filha já foi alvo de comentários maldosos. O pai de um jogador de um time rival certa vez lhe disse: “Sai daí e vai lavar uma louça”.
— Apoiamos muito a Lara e não temos medo, porque ela lida bem com as críticas. É muito focada, e concilia bem o esporte e a escola. Suas notas até aumentaram. Sei que ela sofre preconceito no futebol por ser menina, mas nunca voltou para casa chorando por isso. Pelo contrário, volta com mais garra — diz a mãe.
— Não tenho o que responder a esses ataques. Acho melhor não ligar para isso. Mas às vezes fico irritada — desabafa Lara.
A jovem, como qualquer garota apaixonada pelo esporte, é fã da jogadora Marta, eleita a melhor do mundo pela Fifa seis vezes, e também de Mônica Alvez, outra atleta do time americano Orlando Pride. E, como elas, quer ser jogadora profissional.
— É meu maior sonho — garante a atleta, que como boa estrela, já acumula fãs e tem mais de 16 mil seguidores no Instagram.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Uanderson Fernandes/Agência O Globo