Roteirista do “Tá no ar — A TV na TV”, o cearense Thiago Gadelha também transita pelas artes plásticas desde 2009. Após duas exposições, ele apresenta, a partir de hoje, na Galeria Escombros do Retrato Espaço Cultural, em Santa Teresa, a mostra “Do chão não passa”. A terceira individual do artista se diferencia das anteriores por ser a primeira com esculturas.
Ao todo, Gadelha apresenta 14 pinturas, em um tipo de exposição mais abstrata, que faz alusão a elementos que se entrelaçam e criam elos, como galhos e tecidos. As obras correspondem à fase em que se encontra atualmente, marcada pela representação de correntes, com formas e camadas intrincadas e coloridas. Na tela, esse visual é composto pela mistura de carvão e tinta acrílica e por muitos tracinhos, que foram se tornando sua marca.
A mostra, no entanto, não se limita ao que está pendurado nas paredes. Dos 14 quadros, o artista refez sete, adaptados na forma de esculturas. Feitas de lona, as peças saem do plano chapado da tela e ganham tridimensionalidade, embora não mudem de conteúdo. Gadelha apenas muda a forma da obra, mas o desenho, os materiais e os traçados são os mesmos. A maior modificação está no plano expositor, uma vez que os objetos são dispostos no chão. Essa foi, inclusive, uma das justificativas para a escolha do nome com o qual ele batizou a mostra.
— A expressão “do chão não passa” me remete à coragem de agir fora da nossa zona de conforto. Essas obras refletem justamente sobre a possibilidade de transformação — esclarece o cearense, que marca janeiro de 2009 como o início de sua carreira, quando foi convidado pelo colecionador de arte Richard Barrie, um dos fundadores da Fabergé, para fazer uma residência artística em Sarasota, nos Estados Unidos.
Thiago Gadelha sempre trabalhou com o tracejado, característica que ele julga ter herdado de Chico da Silva, seu conterrâneo, cujas pinturas de dragões decoravam a casa onde passou a infância, em Fortaleza. Embora o traço pareça não muito flexível, com o tempo ele foi percebendo uma evolução desses detalhes.
— Meus traços já foram mais controlados, eles apenas serviam de complemento para os trabalhos. Agora, são mais exagerados, acabaram dominando o espaço da tela, sem contar que fui buscando padrões diferentes para representá-los — diz.
“Do chão não passa” sucede as individuais “Tudo tramado”, de 2016, e “Abraços longos”, de 2017, e fica em cartaz até 23 de junho.
Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior