Sorria: foto no Jardim Botânico agora tem preço

Locação preferida de noivos e debutantes, o Jardim Botânico do Rio passou a cobrar pelo uso do belíssimo cenário, como revelou a coluna “Gente Boa”, da jornalista Cleo Guimarães. Desde segunda-feira, fotógrafos profissionais que queiram incluir em seus ângulos as famosas aleias de palmeiras imperiais e o lago da vitórias-régias terão que pagar uma taxa bianual de R$ 100, que dá direito a um crachá, além de desembolsar R$ 20 por cada dia de trabalho.

As regras para fotografar no Jardim Botânico foram detalhadas numa portaria publicada na última sexta-feira: os interessados terão que preencher um cadastro e atestar que têm conhecimento dos regulamentos para o usar o espaço. Não é permitido, por exemplo, entrar com drones, iluminação, gruas e tripés. A lista de objetos restritos inclui, ainda, mesas, cadeiras, ferros de passar e malas de roupas, entre outros apetrechos normalmente carregados para as sessões de foto. Até esta terça-feira, 12 fotógrafos já tinham procurado o Centro de Visitantes para se cadastrar.

BANHEIROS LOTADOS

A direção do parque explica que, com o cadastro, poderá controlar o acesso de fotógrafos e impedir eventuais abusos, para proteger as áreas verdes. Muitos visitantes vinham reclamando, principalmente, que os banheiros ficavam lotados de noivas e debutantes trocando de roupas e fazendo maquiagem. A partir de agora, os profissionais serão responsabilizados e podem até ter o direito de trabalhar no interior do jardim suspenso.

‘OBJETIVO NÃO É GERAR RECEITA’

Segundo o presidente do Jardim Botânico, Sérgio Besserman, o objetivo principal da cobrança não é gerar receita, mas criar normas e controlar o uso do espaço.

— O Jardim Botânico é uma área de pesquisa, e é preciso haver um controle. Esses fotógrafos cobram pelos seus serviços, então, nada mais justo que eles paguem um valor maior que o da entrada do visitante. Nosso objetivo não é gerar receita, mas, com o cadastro, ter um contato mais próximo com esses profissionais e até mesmo um controle de demanda. Já houve situações de conflito. Os fotógrafos precisam saber que não podem, por exemplo, colocar a noiva em cima de uma planta, ou levar qualquer equipamento que prejudique o arboreto — disse Besserman.

A notícia desagradou a muitos fotógrafos. Lucas Romanelli, que há cinco anos atua como fotógrafo, achou o valor alto e acredita que muitos colegas de profissão vão passar a optar por outros locais que não cobram, como o vizinho Parque Lage.

— Eu achei a cobrança abusiva, até porque, nos últimos tempos, o jardim tem andado bem largado. Eu costumo pagar o ingresso dos meus clientes, então, para mim, não vai mais valer a pena — comentou ele.

Daniel Martins, que ontem estava produzindo uma sessão de fotos com uma família, também acha que o valor vai espantar os fotógrafos e, junto, uma parcela dos visitantes.

— Acho que o Jardim Botânico vai sentir na bilheteria uma queda de venda de ingressos, pois, durante a semana, boa parte dos visitantes tem esse perfil. É gente que vai lá fazer fotos e aproveita para conhecer o local — diz ele, que ainda não fez o cadastro.

A portaria determina ainda que os clientes dos fotógrafos paguem o bilhete de entrada (R$ 15, a inteira). As sessões de fotos não serão permitidas aos domingos e feriados. As regras não valem para os profissionais que estejam realizando “trabalho de fotografia jornalística ou publicitária/institucional contratado por empresas”. As empresas precisam, no entanto, pedir autorização prévia à assessoria de comunicação ou à assessoria de permissão de uso, respectivamente. Seguranças serão destacados para fazer a fiscalização das novas normas. Quem não cumprir o regulamento será retirado do Jardim Botânico.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior
Foto: Guito Moreto