Shinrin-Yoku: método terapêutico japonês promove ‘banho de floresta’

Já mergulhou em uma floresta hoje? A técnica do Shinrin-Yoku, que significa literalmente “banho de floresta”, é um método terapêutico japonês que nasceu no início da década de 1980. Por meio de práticas sensoriais com o verde, esse “banho” promove uma conexão com a natureza através de sessões de imersão no meio natural envolvendo todos os sentidos. Hoje, ele está disponível na cidade.

O programa é feito pelo casal Pierre-André Martin e Mercedes Elena Gutiérrez há um ano e meio. O paisagista francês radicado no Rio e a psicóloga desenvolveram e adaptaram o método para a realidade da cidade, aproveitando a Mata Atlântica local e disponível em lugares como a Floresta da Tijuca e o Parque Lage. O importante é que o espaço não tenha muita interferência humana, barulhos ou degradação.

O casal, que se conheceu em um café abordando um ao outro sobre o livro “A última criança na natureza”, do Richard Louv — que justamente aborda o Transtorno do Déficit de Natureza (TDN) — estudou a literatura sobre o Shinrin-Yoku, principalmente a japonesa e americana. Assim, começaram praticando um com o outro e incorporando a cultura indígena brasileira. Depois de um tempo, eles se sentiram seguros para convidar amigos a testar a prática com eles.

— Voltávamos sentindo nitidamente os efeitos positivos desse método, confirmando na pele todos os estudos que tínhamos lido. Os depoimentos que recebemos foram a confirmação que a imersão florestal era uma prática aliviadora, de fato, dos estresses da vida urbana. A partir daí, abrimos a grupos e nosso projeto se tornou realidade — disse Pierre-André.

O percurso é feito com caminhadas lentas, sem nada muito fixo, contemplando a vista ao redor, ou com todos sentados em um ponto de preferência. Também vale passar as mãos na vegetação perto, se concentrar para ouvir os ruídos dos animais e do vento soprando nas árvores, além de se concentrar no cheiro da vegetação. Em alguns momentos, os estados são meditativos, mas o casal guia todo o processo. No final, todos tomam um chá feito com plantas do próprio local, e a atividade é encerrada com uma roda de conversa sobre a experiência.

— Somos os guias, mas a floresta é a terapia. Alguns momentos de rodas de conversa, entre as práticas, permitem a cada um compartilhar o que sentiu. É importante ressaltar que não é uma atividade de trilha. Na trilha vamos para algum lugar, na imersão florestal nós estamos no lugar, tudo é focado na conexão com a floresta — explica o francês.

Pessoas de todas as idades que tenham vontade de se conectar com o meio natural podem participar. É só contatar eles pelo instagram da atividade (www.instagram.com/imersaoflorestal). Até hoje, eles já levaram uma centena de curiosos, sempre em grupos de 6 a 10 pessoas.

— Dentro da cidade é difícil encontrar lugares e momentos que nos permitam regular os níveis de estresse e outros impactos no nosso corpo e na nossa mente. A cidade é feita de elementos industriais repetidos que oferecem muito pouco aos nossos sentidos. Esses sentidos nasceram, na nossa história biológica, no meio da natureza, e é ali, nessas condições, conectados a ela, que conseguimos nos conectar com nós mesmos — completa Pierre-André.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior